Créditos de Carbono – Índios suruí apostam no mercado de carbono para conservar sua terra em Roraima

Índios da etnia suruí, em Rondônia, começam a investir na venda de créditos de carbono. Eles utilizam a internet para divulgar o trabalho de preservação de sua reserva.

De qualquer parte do planeta é possível ver a terra indígena Sete de Setembro, que pertence ao povo suruí e fica na divisa entre Rondônia e Mato Grosso.
Técnicos do Google reproduziram no computador tudo que tem na floresta. Pela internet, o usuário pode fazer um tour pelas árvores e ver o que os suruís estão fazendo.

Enquanto caminha no meio da floresta, o índio carrega na mão um celular com sistema localizador GPS. Seis aparelhos foram doados no ano passado para o projeto. Com outra ferramenta, os índios da etnia suruí fazem o levantamento da biomassa.

“Avanço bastante nosso trabalho relativo à biomassa. A tecnologia está ajudando bastante ao trabalho relativo ao campo. A gente pensou que ia levar mais tempo”, diz Naraymi Suruí, coordenador do projeto.

Ao mostrar a floresta para o mundo os índios podem divulgar o que estão fazendo para conservar a área. Com isso, será possível vender créditos de carbono para financiar projetos sociais e ambientais nas aldeias.

Simplificadamente, o crédito de carbono é uma compensação em dinheiro paga por empresas de qualquer parte do mundo que emitem carbono na atmosfera para uma pessoa ou grupo de alguma forma conservar a natureza.

O Projeto Carbono Suruí utiliza duas formas de compensação: o seqüestro de carbono propriamente dito, por reflorestamento, e o desmatamento evitado e conservação de estoques de carbono através da redução do desmatamento e degradação florestal.

Os recursos recebidos vão para o Fundo Carbono Suruí. Técnicos do Idesam, o Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas, acompanham o processo.

“Eles aprenderam muito rápido. Pegaram muito rápido a forma de utilizar o aparelho”, explicou Heberton Barros, engenheiro florestal do Idesam.

O projeto começou a ser desenvolvido em 2007, com o reflorestamento. A criação do fundo indígena pode ser mais um passo para ajudar os suruís a conservar a região em que vivem.

Vejam o vídeo sobre a Tribo Suruí, no Youtube:

Desequilíbrio Ecológico – Taturanas Assassinas

Um alerta especial para a população

do Sul do Brasil.

 

Pode parecer nome de filme de terror mas é mais sério que isso. Com o desmatamento acentuado e o uso de agrotóxicos de forma sistêmica pelos agricultores, os predadores de algumas espécies acabam desaparecendo. Aqui falamos das vespas, predadoras naturais das lagartas e recentemente foi encontrada uma espécie rara e extremamente venenosa de lagartas numa residência localizada na Lagoa da Conceição, em Florianópolis, o que deixou as autoridades sanitárias do Estado em alerta. Segundo os especialistas, o registro das taturanas assassinas na região comprovaria que o desequilíbrio ambiental na capital catarinense é responsável por problemas sérios, como a proliferação da temida espécie.

Marlene Zannin, professora de Toxicologia e coordenadora do CIT (Centro de Informações Toxicológicas) de Santa Catarina, órgão vinculado à diretoria de Vigilância Sanitária do Estado, destaca que cerca de 170 lagartas foram encontradas em duas colônias. Um jardineiro ficou curioso pois nunca havia visto a espécie e levou para identificação.

Ela afirma que quem tiver contato com o animal deve procurar atendimento médico imediato. “Quem encosta numa lagarta tem que procurar assistência nas primeiras horas e, de preferência, levar uma amostra do animal para análise”. Os centros de toxicologia dos hospitais são os mais indicados para orientarem a população sobre o que fazer caso novas taturanas sejam localizadas.

“É muito preocupante encontrar tantas lagartas em uma árvore no quintal, muito próximo da varanda da casa”, diz a professora. “Qualquer familiar poderia ter encostado nestas lagartas ou até os animais domésticos e o contato poderia resultar no envenenamento. Em Florianópolis nunca tínhamos coletado tantas lagartas juntas”.

Chamada de lonomia obliqua e também conhecidas popularmente como taturana assassina, a espécie chega a ter 8 centímetros de comprimento quando adulta e se caracteriza por possuir grandes espinhos verdes pelo corpo, em forma de pinheiro, e de viver em grupos alojadas em árvores. Nos espinhos, está o veneno, que chega a ser mais letal do que o de uma cobra jararaca.

Em contato com os seres humanos, a taturana libera o veneno que influencia na coagulação do sangue, provocando hemorragias, náuseas e até mesmo um quadro grave de insuficiência renal crônica. “O veneno ativa a coagulação do sangue, consome rapidamente as proteínas resultando numa incoagulabilidade sangüínea”, destaca Zannin. “O paciente, horas depois, começa apresentar hemorragias graves e insuficiência renal aguda.”

O que preocupa, no caso registrado em Florianópolis, é que a espécie nunca esteve tão perto do homem. “Estas lagartas sempre existiram, mas é importante destacar que em número controlado. Tanto a lagarta como os seus predadores (pequenas moscas e vespas) viviam mais na mata”, afirma a coordenadora do CIT.

Para Zannin, o desmatamento e o uso contínuo de agrotóxicos podem ocasionar novos problemas. “O homem vem desmatando as florestas cada vez mais, conseqüentemente as lagartas migram para as árvores nos quintais, pomares das casas e parques das cidades”, disse.

“Com o uso do agrotóxico, os predadores naturais das lagartas são mortos e o desequilíbrio é visível: o resultado é esta grande quantidade de lagartas e o risco da população acidentalmente no lazer ou no trabalho encostar nos espinhos e se envenenar”.

Os primeiros casos de envenenamento no país foram registrados por pesquisadores em 1989. Seis pessoas morreram em Santa Catarina e outras 2 mil sofreram acidentes até que o Instituto Butantan conseguiu criar um soro para o veneno da lagarta.

A taturana assassina, ou lonomia obliqua foi registrada em várias regiões do oeste do Estado. Na capital catarinense nunca havia sido notada a sua presença até a tarde do último sábado. A fiscalização em alguns bairros pode aumentar nos próximos dias, mas as autoridades estão pedindo que a comunidade permaneça em alerta.

“Cada mariposa coloca em média 70 ovos nas folhas das árvores e após cerca de 15 dias nascem de 60 a 70 lagartas. A proliferação é grande e o risco também: durante o dia elas ficam agregadas no tronco das árvores, mimetizam o tronco da árvore, o que dificulta a sua visualização”, revela Marlene.


As lagartas foram colocadas numa caixa de madeira e enviadas na noite desta segunda-feira para o Instituto Butantan, que produz um antídoto específico para o veneno liberado pela espécie, o soro Antilonômico. O soro é comprado pelo Ministério da Saúde e distribuído para as regiões sul e norte do Brasil.

Para ficar sabendo:

Cientistas da Unifesp e do Instituto Butantan descobriram como a “lagarta assassina” – que ganhou fama há dez anos – fez suas vítimas. Os primeiros casos de acidentes com taturanas surgiram em 1989, no sul do Brasil, mas nada se sabia sobre a ação do veneno no corpo humano.
O estudo analisou a ação do principal componente do veneno da lagarta Lonomia obliqua, um ativador do sistema de coagulação do sangue. O componente foi purificado, 60% dele foi mapeado quimicamente, o que mostrou, já de início, que se trata de um novo tipo de ativador de protrombina, proteína que, quando ativada, desencadeia a formação de coágulos do sangue.
Desenvolvido pelo bioquímico Cleison Valença Reis, como mestrado na Unifesp/EPM, por Ana Marisa Chudzinski-Tavassi, do Instituto Butantan, e Cláudio Sampaio, professor da Bioquímica da Unifesp, o trabalho mostrou que essa substância, quando injetada pelas cerdas da lagarta no corpo, faz com que se formem coágulos no sangue. Com isso, os fatores responsáveis pela coagulação são consumidos, o que torna o sangue incoagulável para uma necessidade futura. Esse problema tem nome: é a coagulação intravascular disseminada. 
Recomendo então, aos leitores que observem o aspecto da lagarta em questão e, na dúvida, não toquem nem deixem as crianças tocarem e avisem às Secretarias de Meio Ambiente e Zoonoses da região, no caso de avistarem colônias.

Claudia Costa

 

Fontes: http://www.unifesp.br/comunicacao/jpta/ed144/pesqui4.htm

http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI2070882-EI8145,00.html

Podemos escolher o que semear, mas somos obrigados a colher aquilo de plantamos.
Proverbio Chinês

Taturana assassina

De abelhas e Esperanças

     Abelhas Jata�Eu li em diversos lugares que as Abelhas estão desaparecendo de alguns cantos do Planeta. Isso me assustou. Porque junto dessas informações, vinha a sombria afirmação atribuída à Einstein, de que “quando as abelhas desaparecessem do cenário humano, a nossa espécie teria apenas mais quatro anos de sobrevivência”. Os cientistas começaram a buscar respostas e apareceram mil e uma teses, das mais críveis às mais bizarras e nenhuma, até o momento, parece haver respondido completamente à pergunta. Onde estão indo parar as abelhas?

Pus minhas barbas de molho e volta e meia procuro consultar matérias sobre o “sumiço das abelhas” para ver se os cientistas já conseguiram encontrar alguma resposta.

Há alguns dias atrás encontrei abelhas… no quintal de minha casa! Uma colmeiazinha minúscula, abelhas filhotes, pequeninas, esvoaçando sem muita organização e eu logo me lembrei do assunto e pensei: Ora, ora, então, pelo menos aqui no Brasil, as abelhas ainda andam a fazer suas colmeias! E achei que isso poderia ser interessante para algum pesquisador, afinal, por aqui, há rumores de sumiço das “apis melliferas” (abelhas produtoras de mel) . Para onde ligar? Quem se interessaria por abelhas no Brasil?

Pensei, pensei e resolvi ligar para a Universidade Rural do Rio de Janeiro, uma conceituada e respeitada Universidade que forma biólogos, veterinários. Alguém ali haveria de se interessar por Abelhas! Lá descobri, depois de ligar insistentemente, que há pessoas interessadas em abelhas. Mas essas pessoas não possuem as roupas adequadas para a manipulação segura, nem tampouco transporte para deslocar-se até fora do bairro de Itaguaí, onde fica a referida Universidade.

Me informaram também, que é precária a estrutura para pesquisas e que eu deveria pagar a um estagiário para que ele viesse até minha casa, remover sem matar, as abelhas e sua colmeia. Argumentei que as abelhas estavam desaparecendo no mundo, daí minha preocupação em mantê-las vivas e seguras em alguma floresta ou sítio, mas não obtive sucesso. A pessoa que me atendeu disse que já “doa” parte de seu salário para o Governo, comprando à própria custa, material para que os alunos possam manter suas pesquisas e que não poderia fazer mais esse sacrifício. Disse que sentia muito mesmo, mas que eu deveria procurar a Defesa Civil ou os Bombeiros.

Por estes fui informada de que há uma Lei que proíbe matar abelhas, já que elas estão ameaçadas de extinção. Mas eu não queria MATAR ABELHAS. Eu justamente queria removê-las em segurança, argumentei. Pior ainda! foi o que me respondeu o funcionário da Defesa Civil (onde é que já CIVIL?) Se eu não queria a morte das abelhas não deveria estar ligando para lá e sim para um apicultor. Disse que eu deveria ligar para os Bombeiro que eles, sim, deveriam ter o telefone de algum apicultor.

As abelhas ficaram e ficaram também algumas perguntas difíceis de calar.

Fala-se em Aquecimento Global e em Mitigação dos Impactos negativos que aquele certamente causará. Fala-se em elevação dos oceanos, em períodos de estiagem e seca e no aumento do desequilíbrio biológico, por conta do desmatamento, algumas espécies predadoras de outras, acabam morrendo e algumas crescem descontroladamente, causando doenças e problemas para as sociedades urbanizadas. A pergunta que não quer calar é: Se nossas Secretarias de Meio Ambiente, nossas Defesas Civis, Nossos Ministérios, não estão preparados para capacitação de pessoal para remover colmeias em segurança, se as roupas especiais, necessárias ao manejo de abelhas, na Universidade Rural estão RASGADAS, impossibilitando o atendimento fora dos muros da Universidade… Para quem vamos apelar se algo sério de verdade acontecer? E para quando será isso? Quando é que vamos parar de falar em Meio Ambiente e Aquecimento Global e vamos realmente começar a agir preventivamente, capacitando, preparando, construindo, reflorestando, reequilibrando o Meio Ambiente? Depois da Copa de 2014?

Nunca se falou tanto em Proteção Ambiental, defesa das espécies, porém eu temo que seja em grande parte, a mesma falácia que sempre permeou as ações de governos em nosso País que só agem quando o “leite” já está derramado.

A Esperança é que, as abelhas não estejam desaparecendo, mas sim, se mudando, para longe dos pesticidas, dos agrotóxicos, das torres de telefonia celular e se for esse o caso, elas podem ficar com o meu quintal.

O Homem terá que aprender que não se pode comer dinheiro, nem votos.

Deixo um vídeo colhido no Youtube, postado por um amante de melliferas, benéficas, fantásticas Abelhas!

Conheçam, mostrem aos seus filhos e amem, antes que elas acabem.

Está mais do que na hora de pararmos com as respostas simplistas aos nossos filhos. Abelha não “serve apenas” para fazer mel e produzir cera!

Abelhas – Polinizadora de mais de 90 espécies de frutas, carrega a floresta nas patas, em seu vôo, vai espalhando as sementes e o pólen, de flor em flor, fazendo a fecundação entre flor macho e fêmea. Mas isso, já é outra história. Sem alarmismos, deixe as abelhas viverem, em paz, pelo bem do Planeta. Pelo nosso bem. Vejam o vídeo e aprendam um pouquinho mais sobre as nossas melhores amigas. Abelhas.

Para quem quer saber mais, visite o site da EMBRAPA

http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Mel/SPMel/racas.htm

Ps: Hoje, dia 24 de novembro, depois de muito pesquisar, descobri que as abelhas que estão morando no meu quintal, são da espécie Jataí, abelhas brasileiras, inofensivas, com um ferrão atrofiado e que, se Deus quiser, vão continuar vivendo em paz, com minhas flores, frutos e os passarinhos.

 

Veja também “Entendendo a importância das Abelhas”

Floresta Zero

Ruralistas assumem projeto de reserva legal

Data: 28/10/2007
Local: São Paulo – SP
Fonte: O Estado de S.Paulo
Link: http://www.estado.com.br/ Lígia Formenti

Diante da derrota na Comissão de Meio Ambiente, parlamentares da bancada ruralista decidiram tomar as rédeas da discussão do projeto que altera as regras relativas ao uso e recuperação de florestas em terras privadas.  Pediu – e ganhou – o direito de a Comissão de Agricultura avaliar a proposta. Na prática, a discussão volta à estaca zero.

Deputados da Comissão de Agricultura farão as alterações que acharem necessárias na proposta aprovada no Senado e somente então encaminharão o texto para a Comissão de Meio Ambiente.  Para quem acompanha a tramitação, a manobra é vista como uma oportunidade de ouro para ruralistas consolidarem sua posição e, depois, concentrarem forças para uma aprovação rápida na Comissão de Meio Ambiente.

O deputado Sarney Filho (PV-MA) já avisou que vai entrar com recurso para a proposta passar pelo plenário da Câmara.  “O assunto é delicado e agora não é o momento adequado para ele ser avaliado”, afirmou.  O projeto, polêmico, prevê a redução da área de reserva legal na Amazônia dos 80% atuais para 50%, em regiões onde a floresta já foi derrubada.  Nos 30% de diferença, proprietários hoje em situação irregular poderão plantar espécies exóticas, entre elas dendê.

A proposta também amplia as formas de compensação de áreas devastadas em todo o País: donos de áreas em situação irregular poderão, em vez de fazer a recuperação em sua propriedade, “adotar” reservas em outras áreas, desde que sejam do mesmo bioma.

Perigos
Ambientalistas listam uma série de perigos na proposta.  Em termos gerais, dizem, ela reduziria a reserva legal – área mínima de florestas e outros ecossistemas naturais, que, por lei, devem ser conservados.  Na região amazônica, a reserva hoje deve ocupar 80% da propriedade.  Nas demais regiões do País, 20%.  O setor produtivo, por sua vez, afirma que a proposta traz um incentivo para proprietários recuperarem áreas abandonadas há tempos.

A divisão criada pelo projeto transcende partidos.  O Ministério do Meio Ambiente (MMA) vê no projeto uma boa ocasião para fazer alterações no Código Florestal.  E outros setores do governo consideram a proposta uma ótima oportunidade para ampliar o investimento no plantio de dendê – fundamental no programa predileto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o de biocombustível.

A frouxidão para aprovação do projeto poderia transformar-se numa forma de pagamento para ruralistas, cujo apoio pode ser fundamental, por exemplo, para a prorrogação da CPMF.

“A proposta é recheada de imperfeições, por isso a batizamos de Floresta Zero”, afirmou o coordenador da Campanha da Amazônia do Greenpeace, Paulo Adário.  Ele admitiu estar apreensivo com o rumo do projeto, que, em sua avaliação, foi pouco discutido pela sociedade.  Para ele, a estratégia do MMA de tentar transformar a proposta é extremamente perigosa.  “Estão negociando perigosamente o futuro da Amazônia.”

Notícias de Arrepiar …

Murilo Alves Pereira
Agência FAPESP
25/10/2007

Manchetes sensacionalistas sobre o aquecimento global chamam a atenção das pessoas para o tema, mas provocam arrepio na comunidade científica.

Catastrofismo

“O catastrofismo feito pela mídia é preocupante, pois tira a esperança das pessoas. Para que vão se preocupar em fazer algo se o futuro já é incerto?”, disse José Antonio Marengo, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O meteorologista foi um dos debatedores da conferência “Mudanças Climáticas” durante o 2º Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental, realizado em Porto Alegre.

Cobertura irregular

Segundo Marengo, a cobertura da imprensa brasileira sobre o aquecimento global tem ocorrido de forma cíclica, nos últimos tempos acompanhando especialmente a divulgação dos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês) – que dividiu com o ex-vice-presidente norte-americano Al Gore o Prêmio Nobel da Paz de 2007.

“As reportagens vêm em pulsos. Quando houve o furacão Katrina foram três dias falando sobre isso, depois parou”, disse à Agência FAPESP, sugerindo que a imprensa mantenha um fluxo contínuo de informações sobre o tema.

Equívocos conceituais

O pesquisador criticou a forma como alguns veículos de comunicação chamaram a atenção para o aquecimento global, apelando para imagens como a de um urso polar perdido em um pequeno bloco de gelo. “O Brasil, por exemplo, tem outras representações para os dilemas tropicais, como as hipóteses da ?savanização? da Amazônia ou da desertificação do semi-árido nordestino”, afirmou.

Os equívocos conceituais de muitas matérias também foram alvos de críticas. Segundo o glaciólogo Jefferson Cárdia Simões, professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a mídia confunde termos distintos como aquecimento global, mudanças climáticas, efeito estufa e camada de ozônio.

Derretimento das calotas polares

“Ainda leio na imprensa que o derretimento da calota polar vai aumentar o nível no mar”, disse. Segundo ele, a mídia não distingue diferenças entre o gelo da Antártica e do Ártico – o ‘manto de gelo?, formado pelo acúmulo da neve precipitada no continente antártico é diferente do mar congelado comum ao ártico.

O aumento do nível do mar só ocorreria se as grandes geleiras da Antártica e da Groenlândia derretessem, mas o gelo marítimo do pólo Norte não contribui para isso. “É um conceito simples de física. Pelo princípio de Arquimedes, o gelo em suspensão no líquido, se derreter, não elevará o nível da água”, destacou.

Gelo no topo das montanhas

Por outro lado, a Antártica representa apenas 0,08% do gelo que está derretendo no mundo – a maior parte da perda de gelo ocorre no topo das montanhas. “A visão que impera é que o derretimento das calotas polares vai elevar o nível do mar. Os números são absurdos e chegam a 70 metros, que representa a elevação do nível se todo o gelo do mundo derretesse, mas isso jamais ocorreu na história da Terra”, disse.

Para Simões, falta aos jornalistas conhecimento sobre como ocorre o “fazer científico”. A imprensa também não diferenciaria publicações avaliadas por pares daquelas que representam “opiniões pessoais”. “É preciso pesar as fontes quando for dado espaço para esse ou aquele cientista”, afirmou.

A ciência não é perfeita

Mas a ciência não é perfeita e nem pode ser apresentada como tal, apontou o glaciólogo em tom de mea-culpa. “O IPCC faz previsões e é arriscado tratá-las como verdades absolutas. Se essas previsões não ocorrerem, o público pode deixar de acreditar na ciência”, disse.

De acordo com os presentes na conferência na capital gaúcha a comunidade científica entende quais são as dificuldades da imprensa nas matérias sobre o aquecimento global. Segundo o jornalista Ulisses Almeida Nenê, do Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul, os pesquisadores deveriam usar sua experiência de modo a facilitar a comunicação com a imprensa, utilizando uma linguagem mais acessível.

“Os cientistas se preocupam com a própria pesquisa, mas não pensam em como ajudar a imprensa na divulgação desses estudos”, disse. Surge, então, um grande desafio para os jornalistas: despertar o interesse na população sobre questões ambientais e divulgar as pesquisas com precisão.

Banalização do aquecimento global

Segundo Almeida Nenê, a saturação de matérias sobre o aquecimento global na imprensa nos últimos meses pode provocar a banalização do tema, como ocorreu com a questão da violência. Para justificar a continuidade do tema na mídia, é preciso buscar aspectos voltados à realidade local ou a pesquisas específicas e ainda não cobertas pela mídia.

“Hoje, o interesse pela questão ambiental tem muito fogo de palha. Há pouco compromisso dos atores. As empresas de mídia deveriam se engajar de verdade”, disse. Para ele, a união entre jornalistas e cientistas melhoraria a comunicação da ciência na mídia. 
 

Até as Cascas! Dicas para economizar de forma saudável

 

 Algumas atitudes comuns do dia a dia praticadas pela maioria da população, como por exemplo, cozinhar os alimentos como cenoura, chuchu, e legumes em geral sem a casca, podem retirar as barreiras naturais de proteção destes alimentos contra a perda de seus elementos nutritivos durante a fervura. Excluindo a casca comestível de algumas frutas, acabamos perdendo muitas fibras, que são importantíssimas para o bom funcionamento do intestino. Também não se deve cozinhar os legumes em água e depois jogá-la fora, já que todas as  vitaminas hidrossolúveis (aquelas diluídas na água) se perdem. 

Você quer saber mais dicas? 

  • Dicas para evitar maiores perdas dos alimentos:

  • Quando for usar uma metade de abacate, deixe a outra com o caroço – isso evita que ela se deteriore com rapidez;

  • A abóbora é altamente nutritiva, e devemos nos lembrar de aproveitá-la inteira: casca, folhas, polpa e o cabo. Seus caroços, quando torrados com sal, servem como aperitivo. Use o mesmo procedimento para a soja e sementes do melão;

  • Cascas, talos e folhas das hortaliças são ricos em fibras e podem ser utilizados em refogados, sopas, bolinhos, recheios para tortas, farofa e etc;

  • Não adicione bicarbonato de sódio ou outras substâncias químicas na água do cozimento para acentuar sua cor. Alguns nutrientes são destruídos por elas;

Agora, aprenda a reaproveitar sobras de alimentos em algumas receitas interessantes com ingredientes que você nunca pensou em utilizar na sua cozinha:

Pó de Casca de Ovo Separe a casca, ferva por cinco minutos e seque ao sol. Bata no liquidificador e depois passe por um pano fino. Deve ficar como pó. Utilize uma colherinha nos refogados, sopas, arroz, feijão, molhos, etc.. O pó de casca de ovo é riquíssimo em cálcio, nutriente importante para o crescimento e prevenção da osteoporose, na gravidez e amamentação.

Talos de Agrião Faça bolinhos ou refogados com carne moída.

Folhas de Brócolis ao Forno

600 g de folhas de brócolis (1 pé)
2 ovos batidos
2 colheres (sopa) de margarina
¼ xícara (chá) de farinha de rosca
2 colheres (sopa) de queijo ralado
sal à gosto
Cozinhe um pouco as folhas de brócolis com sal e escorra. Misture a farinha de rosca com a margarina derretida e junte todos os outros ingredientes, menos o queijo ralado que deve ser salpicado por cima. Asse em forno moderado por 30 à 40 minutos.

Cascas de Goiaba

Lave-as bem e bata-as no liqüidificador com água. Adoce à gosto.

Cascas da Maçã

Utilize-as no preparo de sucos e chás.

Doce de Casca de Maracujá

Lave 6 maracujás, descasque-os deixando toda a parte branca e dura com água. Deixe de molho de um dia para outro. Escorra, coloque em uma panela com 2 xícaras de açúcar e 3 xícaras de água. Deixe apurar. Se desejar acrescente canela.

Folhas de Couve-Flor

Prepare sopas com folhas desta hortaliça.

Bolinhos de Folhas de Beterraba

1 copo de talos e folhas lavadas e picadas
2 ovos
5 colheres (sopa) de farinha de trigo
2 colheres (sopa) de água
Cebola picada
Sal à gosto
Óleo para fritar
Bata bem os ovos e misture os outros ingredientes. Frite os bolinhos em óleo quente e escorra em papel absorvente.

Folhas de Uva

Podem ser enroladas com carne moída e servidas com molho de tomate.

Folhas de Figo

Pode-se utilizá-las no preparo de licores, chás ou xaropes.

Doce de Casca de Banana

5 copos de cascas de banana nanica, bem lavadas e picadas
2 1/2 copos de açúcar.
Cozinhe as cascas, em pouca água, até amolecerem. Retire do fogo, escorra, reserve o caldo do cozimento e deixe esfriar. Bata as cascas e o caldo no liqüidificador e passe por peneira grossa. Junte o açúcar e leve novamente ao fogo lento. Mexendo sempre, até o doce desprender do fundo da panela.

Aperitivo de Cascas de Batata

Cascas de batata
Óleo e sal.
Lave as cascas e frite-as em óleo quente, até ficarem douradas e sequinhas. Tempere à gosto.

Pó de Folha de Mandioca

A folha de mandioca é rica em vitaminas e ferro. Seque as folhas de mandioca na sombra e depois bata no liqüidificador. Use uma pitada de sal ao preparar um prato.

Molho de Cascas de Berinjela para Massas

2 dentes de alho picados
3 colheres (sopa) de óleo
2 copos de cascas de berinjelas cortadas em tiras de 1 cm de largura.
1 1/2 copo de água
Sal e pimenta do reino à gosto
1 colher (chá) de orégano
4 tomates sem pele e sem sementes ou
6 colheres (sopa) de polpa de tomate.
Doure o alho no óleo. Junte as cascas de berinjelas e refogue por 5 minutos. Junte a água, o sal, a pimenta do reino, o orégano e os tomates. Cozinhe por uns 5 minutos até engrossar ligeiramente. Dá para meio pacote da massa de sua preferência.

Bolinho de Talo de Brócolis

2 xícaras (chá) de talos de brócolis cozido
2 ovos
1 cebola média picada
Sal à gosto
6 colheres (sopa) de farinha de trigo
Óleo para fritar.
Bata no liqüidificador os talos cozidos juntamente com os ovos. Retire e misture os ingredientes restantes. Frite as colheradas em óleo quente.

Rama de Cenoura

Com o ramo de cenoura, experimente preparar bolinhos, sopas, refogados e enriquecer tortas e suflês .

Ramas de Cenoura Crocantes

1 xícara de farinha de trigo
1 colher (sopa) de óleo
Sal a gosto
30 raminhos de folhas de cenoura
Óleo para fritar
Misture a farinha com o óleo, o sal e 1/2 xícara de água. Passe ligeiramente os raminhos na massa sem cobrí-los totalmente e frite no óleo quente.

Doce de Casca de Melancia

Cascas de 1/2 melancia
1/2 kg. de açúcar
Cravo à gosto
Canela em pau à gosto
Remova a parte verde da casca, passe a polpa branca pelo ralador grosso e reserve. Misture o açúcar com 1/2 copo de água, junte cravo, canela e faça uma calda deixando ferver por 10 minutos .

Patê de Talos de Legumes

2 colheres de talos de beterraba e de espinafre
1 copo de ricota ou maionese
Sal e pimenta à gosto.
Bata tudo no liqüidificador. Sirva gelado.

Pudim de Casca de Goiaba

1 copo de suco de casca de goiaba
1 copo de água
2 colheres bem cheias de maisena
3 colheres bem cheias de açúcar.
Dissolva a maisena, junte os demais ingredientes e misture bem. Leve ao fogo mexendo sempre até engrossar. Despeje em forma umedecida e leve à geladeira.

Geléia de Casca de Abacaxi

Cascas de um abacaxi
4 copos de água
Açúcar, o quanto baste
3 colheres bem cheias de maisena .
Lave com uma escovinha as cascas do abacaxi. Bata as cascas junto com a água no liqüidificador. Passe por uma peneira. Junte o açúcar e a maisena dissolvida. Leve ao fogo e deixe cozinhar bem. Despeje em pirex previamente umedecido. Sirva gelado.

A receita abaixo foi extraída do livro “Diga não ao desperdício” – Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo

Doce de Casca de Abacaxi com Côco

Casca de 1 abacaxi picada
2 xícaras (chá) de açúcar
1 pacote de 100g de côco ralado
1 colher (sopa) de margarina
Descasque 1 abacaxi, lave a casca e ferva com um pouco de água.
Bata a mistura no liquidificador e coe.
A parte que ficou na peneira leve ao fogo em uma panela e acrescente o açúcar, o côco, a margarina e o cravo, se quiser.
Mexa sempre até desprender do fundo da panela. Dá 16 porções

Por
Equipe de Jornalismo
Planeta Natural
jornalismo@planetanatural.com.br

Quer saber mais sobre o assunto?

Visite a Comunidade no Orkut: Nada se Perde, Tudo se Aproveita,  que fica em http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=13790462 

 

Assista o vídeo excelente do Globo Repórter onde se aprende a fazer “Sal de Ervas”, que é uma mistura simples, excelente para combater o colesterol e a pressão alta, além de dar mais dicas sobre o cozimento dos alimentos em tempo mínimo, numa economia de gás e a manutenção dos nutrientes dos vegetais. O bolso agradece, além da nossa saúde (e a do Planeta também)! Clique na imagem abaixo, para assistir .

Globo Repórter

Assista ainda o vídeo do Programa Cidades & Soluções, com o Jornalista André Trigueiro, dessa vez, falando sobre o desperdício e iniciativas de alguns CEASAS de cidades do Brasil. Porque não no Rio de Janeiro ? Essa é a pergunta que não quer calar.

Desmatamento Zero!

 

Ambientalistas de nove organizações não-governamentais lançaram uma proposta, na semana passada, em Brasília para acabar com o desmatamento na Amazônia em sete anos.

A iniciativa, chamada Pacto Nacional pela Valorização na Amazônia, prevê metas progressivas de redução, a começar por 25% no primeiro e no segundo anos, e ampliando anualmente as reduções em relação à área desmatada de 2005/2006, até eliminar totalmente o problema no sétimo ano.

O plano foi apresentado numa sessão da Câmara de Deputados, na qual estavam presentes a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e autoridades dos Estados amazônicos, incluindo o governador do Mato Grosso, Blairo Maggi.

Metas de redução

1º ano: 25%

2º ano: 25%

3º ano: 30%

4º ano: 40%

5º ano: 50%

6º ano: 75%

7º ano: 100%

Fonte: Imazon

O coordenador de projetos da ONG Imazon, Paulo Barreto, diz que a proposta tem mais chance de ir adiante do que outras que não saíram do papel porque “inova” ao prever mecanismos de compensação econômica para quem se beneficia do desmatamento.

“O sucesso vai depender da parte econômica da equação, da rapidez e da escala em que vamos conseguir implementá-los. Se (os que ganham com os desmatamento) tiverem alguma compensação, eles vão aderir à idéia.”

Um dos mecanismos mais simples, segundo ele, seria oferecer ao dono de uma área que ainda tem direito a desmatar uma parte dela os R$ 100 por hectare/ano que ele ganharia ao derrubar a floresta.

Para que esses mecanismos fossem adotados de forma eficaz, seria preciso firmar um contrato com o proprietário e adotar uma fiscalização extensiva, por meio de acompanhamento por satélite.

R$ 1 bilhão

A Imazon e as outras ONGs que apóiam a proposta estimam que financiar esses mecanismos e a infra-estrutura inicial para implementá-los exigiriam R$ 1 bilhão por ano, que poderiam ser pagos pelo governo e pela iniciativa privada.

Segundo Paulo Barreto, cerca de metade disso poderiam ser levantada simplesmente redirecionando recursos que já são aplicados na Amazônia. “É uma decisão política”, disse Barreto.

Com esse compromisso de investimento inicial, diz o ambientalista, o país teria “mais autoridade” para buscar recursos externos.

“O desafio agora é ter articulação para garantir esse fundo (de R$ 1 bilhão).”

O coordenador de projetos da Imazon também acredita que o momento seja favorável à adoção do plano – do ponto de vista interno, porque a maior responsável pelo desmatamento, a pecuária, atravessa um momento ruim.

Para Barreto, o cenário internacional também ajuda, na medida em que as discussões sobre as formas de mitigar o aquecimento global ganham importância, com a aproximação da reunião da ONU sobre o clima, em dezembro, em Bali.

O ativista diz acreditar que o Brasil possa se beneficiar da “economia do carbono”, referência ao mecanismo que prevê que países que queiram extrapolar suas metas de cortes de emissões “comprem” créditos de carbono de países que poluam menos.

Para que isso aconteça, porém, Barreto reconhece que esse mercado precisa ser estimulado por tratados internacionais que estabeleçam as metas.

“O debate sobre o clima e as compensações internacionais são chave. Se o debate da proteção das florestas não entrar nas discussões de como mitigar as mudanças climáticas, o Brasil vai ficar sem oportunidade”, disse Barreto.

O ambientalista enfatiza que, excluídos aqueles que se beneficiam de forma imediata do desmatamento, as atividades que estão por trás da derrubada das florestas – agropecuária, principalmente – não compensam o dano ambiental que provocam no país.

“75% da emissões de gás carbônico vêm do desmatamento e isso contribui muito pouco para a economia total. É uma forma ineficiente para gerar desenvolvimento.”

Segundo Barreto, uma floresta que tenha 300 toneladas de mata por hectare vai liberar cerca de 150 toneladas de CO2 na atmosfera, se desmatada.

Apóiam a iniciativa as ONGs Instituto Socioambiental, Greenpeace, Instituto Centro de Vida, Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, The Nature Conservancy, Conservação Internacional, Amigos da Terra-Amazônia Brasileira, Imazon e WWF-Brasil.

 

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