Ecologista era a sua Avó!

Pergunte à sua Avó:

Galinhas no Quintal

Se ela já teve um quintal onde criava galinhas e patos, além de gatos, cachorros e um papagaio ou maritaca que apareceu, fugindo de algum vizinho …

Pergunte à sua avó se ela jogava restos de verdura para as galinhas, se usava borra de pó de café nas plantas, se jogava cascas de legumes no jardim para fazer “adubo” e  se não aproveitava todo pão dormido para fazer farinha de rosca ou torradinhas para acompanhar a sopa. Pergunte a ela se ela fazia goma em casa e se sabia de um cházinho para cólicas menstruais.

No quintal de nossos avós, haviam árvores, enormes, já centenárias e plantinhas de todos os tipos que eles cuidavam, sem que soubéssemos o nome mas protegiam-nas de nossa curiosidade cruel, dizendo “não arranque as folhas, elas sentem dor”.  Nossas avós sabiam fazer chás de ervas que curavam resfriado, tosse, conheciam como usar sabugueiro para fazer desaparecer as vesículas de catapora,  não usavam óleo de soja e sobreviveram, não usavam caldo Knorr mas sabiam fazer um guisado ou ensopado como ninguém e tudo tinha um sabor diferente, típico de casa de avó. Não haviam saponáceos para tirar limo de banheiro e elas lavavam o rosto, pela manhã, com água e sabão de coco… Sobreviveram à falta de shampoos variados e esfoliantes para a pele. Muitas, como a minha mãe, só foram usar máquinas de lavar há coisa de poucos anos e sobreviveram. Não haviam absorventes higiênicos, recheados de algodão, nem fraldas descartáveis e eu me lembro da minha mãe lavando dezenas de fraldas de pano para minha filha, as fraldas balançando ao sol, clarinhas, cheirosas, limpinhas.  

 Quando olhamos para trás, na maior parte das vezes constatamos que nossos avós foram muito mais pobres do que nós e lutaram muito para conseguir alguma coisa. A maioria morreu sem conseguir grandes avanços materiais e enriquecimentos, mas apesar disso, viviam tranquilos, certos de que Deus estava no controle das coisas e que o que “tinha de ser” acabaria sendo, de uma forma ou de outra. Também falavam do futuro, um futuro distante, quando o homem teria dinheiro para comprar e não teria o que comprar. falavam que o mundo ia se acabar em fogo, já que havia se acabado em água uma vez (mencionando o grande dilúvio).

 Nossa sociedade rapidamente “evoluiu” e hoje dizemos  ser impossível viver sem os confortos da sociedade moderna. Nem pensar em não ter um microondas, ou como sobreviver sem uma boa máquina de lavar ou um aparelho de ar condicionado? Às vezes a gente pega o carro para ir à esquina e não se dá conta de que isso tem um “custo”.

Com o rótulo da praticidade, a mulher moderna pode trabalhar fora e voltar feliz, sabendo que um jantar congelado a espera, cheio de temperos artificiais, que dão sabor especial e a sensação de “dever cumprido” à todas nós.  Alimentamos nossas famílias, com enlatados, congelados, embutidos, hamburgueres e frios. Já existem até mercados vendendo legumes e verduras picados, maravilha das maravilhas… Caminhamos para  um mundo do ócio perfeito, onde sobraria, teoricamente, mais tempo para o lazer e a felicidade.

Felicidade

Toda felicidade tem um preço, toda ação, uma reação.  O custo de tamanho conforto e praticidade é o esgotamento dos recursos renováveis do planeta. Não, não estou falando de petróleo nem de água. Estou falando das outras coisas que não se mensura, tais como a capacidade de recuperação dos oceanos, entulhados de partículas de plástico, derivadas do imenso depósito que ali se amontoa, dos produtos que diariamente escoamos pelos ralos. Falo dos papéis que não reciclamos, que não reutilizamos, que não evitamos de imprimir.  Falo do ar condicionado ligado horas antes para deixar o quarto “mais fresquinho” na hora de dormir. Falo de quilos de pilhas que descartamos sem culpa, no Meio Ambiente, poluindo o ambiente inteiro, casa Terra, onde nós e nossos irmãos menores, os animais irracionais habitamos.

Devemos perguntar rapidamente às nossas avós, como era a vida no antigamente delas e tenha certeza de que o que elas vão ensinar, não tem nada a ver com coisas cafonas, fora de moda, absurdas. O que elas têm prá ensinar, serão primordiais e providenciais para nossa urgente e necessária nova forma de viver. Por escolha, ou por imposição das profundas mudanças climáticas que já se fazem presentes. Ainda podemos escolher. O que não podemos mais é, sequer cogitar, não mudar nada. 

Prá finalizar, pergunte à sua avó se ela tinha uma bolsa enorme feita de vime ou de nylon, que serviu durante anos para fazer compras e antes que fosse descartada por estar rasgando, transportou toneladas de alimentos para famílias que se reuniam felizes ao redor da mesa, nos almoços de domingo.

Seria preciso que voltássemos ao tempo das nossas avós para sentir a tranquilidade, a segurança e a felicidade que não conseguimos nos nossos tempos modernos, tecnológicos e tão incertos, como nunca antes foram.

Cláudia Costa

Este cartaz foi veiculado recentemente e amplamente distribuído numa parceria do Projeto Tamar-IBAMA e o Aquário de Ubatuba.

2 Respostas

  1. Adorei esse texto!
    Parabéns :-))

  2. […] Leia tambem Ecologista era sua Avó […]

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