PENSANDO MARITUBA

(Com a técnica do Brainstorming)

 

 Brainstorming (do inglês brain=cérebro + storming=tempestade), técnica de obtenção de consenso através da qual algumas pessoas se reúnem em volta da mesa para discutir um determinado assunto, verbalizando idéias que lhe vêm à cabeça sem qualquer autocrítica, ou seja, sem se preocupar se elas são lógicas ou exeqüíveis. Um dos presentes as anota e, ao final da sessão dentre aquela enxurrada de idéias, quase sempre está a semente ou o resultado que se procura.

 

 Comecemos pelo maior problema: os lixões. Além de serem vetores de doenças, do mal cheiro e do aspecto estético, estão contaminando os cursos d´água e matando os peixes, que são uma das principais fontes de alimentação da população da cidade. Das exigências sanitárias para a localização de um aterro sanitário, pelo menos 3 são difíceis de atender em Marituba-PA (*): a) a distância das habitações, b) a profundidade do lençol freático e c) o afastamento dos rios. Outros problemas que essa forma inadequada de disposição dos resíduos sólidos urbanos (RSU) costuma apresentar são:

1 – atração de catadores e suas famílias (com sérios riscos de saúde);

2 – presença de aves (urubus, garças, etc.) que causam acidentes aéreos;

3 – produção de chorume na ordem direta do índice de chuvas no local; e

4 – proliferação de vetores de doenças: mosquitos, baratas, ratos e outros.

 

Minhas idéias

Focando o chorume como o mais grave dos 4 problemas acima apresentados e considerando elevado o índice pluviométrico local (por ser uma cidade da Amazônia), pensei em reduzir drasticamente a sua produção. Como ? Evitando que a água da chuva chegue até ele, pela colocação de uma cobertura impermeável. Imaginei um telhado de zinco, com cerca de 1 metro de altura, escorado por bambu ou moirões de cerca. A captação da água dessa cobertura, poderia ser vendida pelos moradores à própria Prefeitura, para uso em jardins, piscicultura e até mesmo potável.

 

A altura de um metro impediria o acesso dos catadores e de algumas aves, além de criar um efeito estufa, que reduziria a umidade do lixo pré-existente. Como a maioria dos lixões não apresenta uma superfície regular que permita a colocação de uma superfície impermeável a essa altura, pensei no seu aplainamento anterior por um trator (de esteiras ou de rodas) com lâmina frontal, desses que quase toda Prefeitura dispõe para a manutenção das suas estradas vicinais.

 

E os vetores ? Duas tentativas me ocorreram: pulverizar à lanço uma certa quantidade de gesso (sob a forma de pó de calcário) para, diminuindo o pH dos RSU e propiciar um ambiente desfavorável; e cobrir a superfície com uma fina camada de solo e de folhas de espécies produtoras de essências aromáticas, como o eucalipto. Li uma reportagem no Globo Rural, anos atrás, do uso de folhas de eucalipto (para espantar ratos e insetos) num paiol de milho de uma unidade da agricultura familiar. O alumínio costuma refletir bem a luz do sol e alguns pássaros se assustam com esse reflexo.

 

Os resíduos vegetais do eucalipto (além do seu efeito repelente), juntamente com a matéria orgânica do lixo, contribuiria para a formação do composto, para uso futuro como adubo.

 

Para desestimular a prática do lançamento dos RSU em lixões pela população periférica, a Prefeitura poderia incentivar a coleta seletiva, trocando um certo peso de reciclados por ingressos em shows ou cestas básicas.

 

Pronto. Agora é a sua vez. E não pense que, ao sugerir, só estará “colocando a azeitona na minha empada”. Como Marituba, há mais de 4.000 cidades no Brasil que precisam de soluções inusitadas como essas.

 

(*) 1 22 50 S 48 15 16 W (no Google Earth)

Uma resposta

  1. Olá,pessoal…
    Há um tempinho que venho lendo esse e, finalmente, decidi fazer o meu… ainda não tá totalmente pronto, ainda me embolo com isso de feed, seguidores e tals… rsrs
    Podemos fazer uma parceria?
    http://essetalmeioambiente.wordpress.com/

    aguardo, abs

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