INÉRCIA AMBIENTAL

(5 de junho – Dia Internacional do Meio Ambiente)

 

Assim como as ´Felicidades´no aniversário e os ´Meus pêsames´no infortúnio, Ambientalista que se preza não pode ignorar a comemoração do Dia Mundial do Meio Ambiente. Parodiando os personagens de “O caminho das índias”, hoje é um dia auspicioso (*) para se falar no assunto. O problema é O QUE falar. Eu decidi abordar a inércia ambiental (ou seja, a dificuldade dos cidadãos passarem da conscientização dos problemas à ação), por 3 motivos:

1o.) A tendência ao monólogo nesses mais de 4 anos em que escrevo sobre o tema  no Orkut, mesmo com os tópicos´Faça e aconteça´ e ´SIGa-me´.

2o.) A resistência dos (meus parentes) que atuam na Prefeitura de Marituba-PA a porem em prática as minhas recomendações sobre a cidade.

3o.) A não aceitação dos condôminos do edifício onde moro (na zona Norte do Rio de Janeiro) do meu projeto de captação e filtração da água da chuva.

 

Foram três derrotas inexplicáveis, frente à solidez dos meus argumentos técnicos. A resposta talvez possa ser sintetizada numa frase que minha finada esposa gostava de repetir: As repetidas sensações, extinguem as emoções. Em outras palavras: já estamos tão acostumados com a sujeira à nossa volta e com o descaso da população (e principalmente das autoridades), que chegamos a ter vergonha de agir civilizadamente. Na verdade, não acreditamos que nossa conduta possa alterar maus hábitos que trazemos desde a infância.

 

A falta de uma referência

Essa é a minha tese para o que chamo de [b]inércia ambiental[/b]. Como não conhecemos um lugar limpo e seguro, não temos um parâmetro para copiar. Explico. Em 1978, participei do projeto executivo de “Aproveitamento Agrícola da Planície de Remilá” (504 hectares a serem irrigados, na Argélia). Eu e um colega fomos designados pela empresa onde trabalhávamos para levar o Projeto até seus contratantes.

Tivemos de fazer escala em Genebra, Suíça, onde este amigo já havia estado antes. O meu primeiro impacto foi ver as águas cristalinas do rio que cortava a cidade. O segundo foi não identificar um papelzinho de bala sequer jogado nas ruas. E o terceiro foi um teste que o colega fez comigo, diante do meu espanto. Ele disse: “José Luiz, quer ver como o pessoal aqui respeita o sinal de trânsito ? Vamos atravessar a rua com o sinal aberto”. Pensei que ele estivesse brincando, mas a curiosidade foi maior. Assim que botamos os pés na rua, todos os carros pararam (sem buzinar) até que chegássemos do outro lado. Não esqueço o constrangimento que senti. É como se dissessem: “Olhem aqueles 2 índios atravessando a rua!”.

 

O curioso é que ao chegarmos a Batná, a cidade argelina mais próxima da área a ser irrigada, fiquei conhecendo o outro lado da moeda, ou seja a referência oposta. Nunca vi na minha vida uma cidade tão suja e tão insegura. A ponto de, no trajeto de Argel (capital) para Batná, num velho carro dirigido por um Argelino, ao pararmos num barzinho à margem da rodovia, ele, sem cerimônia, pegou uma chave de fenda e desaparafusou os limpadores de para-brisa trazendo-os até a mesa, dizendo que era para evitar o furto. Contou-nos ainda que era hábito no local deceparem as mãos dos ladrões. Imagina se não fizessem isso ! O meu receio ao ver uma vitrine (todas sujas com a poeira do deserto) era se um larápio em fuga, colocasse em minhas mãos o que ele havia acabado de roubar…

 

Como agir, então ?

Pau que nasce torto é difícil de endireitar. Portanto, restam cuidarmos das ´mudinhas´, ou seja, das crianças. Estou convicto que a Educação Ambiental deve ser dirigida prioritariamente às crianças, na escola de primeiro grau e desde o Jardim de Infância. No Dia Internacional do Meio Ambiente, p.ex., não deixar de presentear-lhes com uma exposição de insetos, de plantas ou uma visita ao Jardim Zoológico. Pensando nisso, cheguei a elaborar um Mapa Mental das Folhas, (e dos Insetos) só pra mostrar a variedade que existe aqui no Brasil das formas de folhas de plantas (e da importância dos insetos; veja em anexo). Insisto que:

Só se ama, o que se conhece.

 

(*) auspicioso, adj.

Que tem bons auspícios, bom agouro. = favorável, prometedor, promissor ≠ adverso.

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3 Respostas

  1. Parabens !!! Não desista jamais, é muito bom saber q existem pessoas q pensam e agem como vc !!!

  2. Olá Leila!
    Grato pelo apoio e incentivo. Sou da opinião que “cada um de nós deve fazer a sua parte”. Como não tenho muita habilidade com a palavra falada, apelo para a escrita.
    Um abraço

  3. Oi visite o meu blog de design-consumo e meio ambiente,obrigado desde já.

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