FAÇA E ACONTEÇA

Toda vez que recebo um elogio ou incentivo pelos meus textos do Orkut, me vem à mente aquela cena do nadador Thiago nos Jogos Panamericanos do Rio (ou foi  nas últimas Olimpíadas ?), com a sua mãe gritando nas arquibancadas: “Vai Thiago !”. É claro que o meu esforço nem se compara ao dele: primeiro, que não disputo nenhuma competição; e segundo, que a minha atuação está mais para a tranqüilidade de um artesão ao confeccionar um cesto de palha, do que a pressa do Thiago na piscina ou a do Felipe Massa na Fórmula 1.

 

Entre as manifestações de apoio dos orkutianos, hoje, uma me deixou comovido. Um amigo de uma comunidade, revelou-me que gostaria de fazer algo, concretamente, pelo meio ambiente. Foi um dos poucos que parece ter deixado a passividade de lado e demonstrou (pelo menos) vontade de participar (com seu esforço), de alguma coisa que ajudasse a natureza em seu calvário diário pelas agressões dos homens. Esse enfecho poético foi meu.

 

Há poucos dias, também, uma amiga que se diz favelada e mora na periferia de uma cidade no interior de São Paulo, disse-me que gostaria de fazer algo pela sua comunidade (não virtual, mas a real), tipo organizar uma cooperativa de catadores para a coleta seletiva de lixo, mas nem sabia por onde começar. Quando lhe passei umas dicas, ela ficou radiante e me agradeceu de coração.

 

Com esses dois fatos pitorescos, parei para pensar, ou melhor, para filosofar. Os nossos arquivos mentais já devem estar lotados de tantas fichas com soluções para as mazelas que os indivíduos impõem à natureza diariamente, seja com os seus resíduos como pela sua insensibilidade ecológica. O meu tópico (no Orkut)  “O ABC da Gestão Ambiental” deve ter contribuído um pouco para os seus arquivos, modéstia à parte. O que nos falta, pois, para agirmos ?

 

Aí entra o título deste post, tomado emprestado de uma campanha publicitária nos jornais e na TV incentivando o empreendedorismo: “Faça e Aconteça”, ou seja, “Vamos botar pra quebrar!” (no bom sentido). Por que não “botamos pra quebrar”, num mutirão cívico em prol da natureza ? Essa ação nada teria de “romântica” ou “Donquixotesca”, já que estaríamos com ela, apenas, preparando o terreno para nossos filhos e netos pisarem. E, de quebra, aliviando o nosso bolso, a parte mais sensível do corpo humano.

 

Neste ponto, outra lembrança me assola. No Globo Rural de domingo passado, na TV, eu soube que a água bebida pelos nova-iorquinos é excelente, mas não é tratada (como acontece na quase totalidade das cidades do mundo), mas “preservada” na zona rural, onde estão suas nascentes, graças ao pagamento por serviços ambientais – PSA, tema de um dos últimos blocos do meu ABC.

 

VOCÊ SABE O QUE QUER ?

 

O principal motivo que impede a maioria das pessoas de conseguir o que quer é não saber o que quer.

(“O segredo da mente milionária”, T.Harv, ed. Sextante, RJ, 2006)

 

À pág.93, o autor revela que nos cursos que promove, quase todos os participantes querem saber a mesma coisa: “O que fazer se as pessoas do meu convívio íntimo não estão interessadas no crescimento pessoal e até me criticam porque eu estou ?”. A resposta é a seguinte: primeiro, não perca tempo tentando mudar pessoas negativas. Não é sua obrigação. O seu dever é usar o que aprendeu para melhorar a si mesmo e a sua vida (o grifo é nosso). Seja o exemplo, seja bem-sucedido, seja feliz e, quem sabe, as pessoas vejam a luz (em você) e queiram um pouco dela para si próprias (foi isso que senti na mensagem do amigo de que lhe falei, aqui no Orkut). Repito (diz o autor), a energia é contagiosa. A escuridão se dissipa na luz. As pessoas têm que se esforçar para se manter “escuras” quando há luz à sua volta. A sua tarefa é apenas ser o melhor que puder (mais uma vez, grifei e negritei este ensinamento exemplar). Se lhe perguntarem o seu segredo, conte.

 

ALGUMAS DICAS PARA AGIR

 

Aproveito o “embalo” da leitura recente desse livro, para reproduzir as etapas que, segundo o autor, são necessárias para o indivíduo sair da inércia e partir para a ação.

1 – O condicionamento do seu SUBCONSCIENTE determina o seu pensamento.

2 – O seu PENSAMENTO determina as suas decisões.

3 – As suas DECISÕES determinam as suas ações.

4 – E finalmente, as suas AÇÕES determinam os seus resultados.

(Observe a sequência: pensamento – decisões – ações – resultados).

 

No lugar do subconsciente, eu colocaria duas coisas: PATRIOTISMO e CONHECIMENTO TÉCNICO; e substituiria pensamento por CONSCIENTIZAÇÃO. Pronto ! Aí está a receita para você, amigo, a partir do ABC (e dos arquivos mentais de que já dispunha antes dele), e PARTIR PARA A AÇÃO ! Mas não esqueça (mais uma tirada do autor do livro aí de cima):

Nada tem significado, exceto aquele que nós mesmos atribuímos às coisas.

 

Sem querer me “promover” de Ambientalista de Carteirinha a Guru de auto-ajuda, permita-me reproduzir um último parágrafo do livro “Os segredos da mente milionária”:

 

Se você tem um grande problema, isso quer dizer apenas que está sendo uma pessoa pequena. Não se deixe enganar pelas aparências. O seu mundo exterior é um simples reflexo do seu mundo interior. Caso queira fazer uma mudança permanente, redirecione o foco: do tamanho dos seus problemas para o tamanho da sua pessoa. (pág. 103)

 

PEGUE SUA ARMA E ATINJA A BOP

 

Calma! Não estou pregando uma revolução, pelo menos como você pode ter imaginado, lembrando talvez, de cenas do BOPE (com “e” no final) invadindo favelas, no filme “Tropa de Elite”. Sua ARMA é o conhecimento e “atingir a BOP” significa: chegar à base da pirâmide (Base of Pyramid = BOP, em inglês), ou à população mais pobre.

 

É onde a atenção está que a energia flui e o resultado aparece.

(ainda respingos filosóficos “daquele livro…”)

Comprovei esta máxima no meu “O ABC da Gestão Ambiental”. Embora muitos o achem prolixo e enfadonho (já fui criticado por isso, acredite), como taurino que sou (“cabeçudo”, em linguagem vulgar), não tenho dado trela para as críticas e dou o melhor que posso. Agora que estou nas letras finais do abecedário ambiental, o resultado do meu esforço começa a aparecer e mais pessoas se solidarizam comigo e “querem fazer algo, também, pelo meio ambiente”. Veja mais um “adepto” ou SEGUIDOR, na minha página de recados do dia 23/10/08.

 

As pessoas ricas aprendem e se aprimoram o tempo todo. As pessoas de mentalidade pobre acreditam que já sabem tudo.

Dito de outra forma: se você não estiver aprendendo continuamente, será deixado para trás. E para terminar: conhecimento é poder. E poder é capacidade de agir.

Como você sabe que sabe alguma coisa ? É simples. Se você a vivencia, você sabe sobre ela. Do contrário, ouviu falar, leu sobre ou comentou a respeito, mas não sabe (pág. 164 do…você sabe).

Como ex-Professor universitário, “estou careca de saber disso”. Depois de expor uma lição aos meus alunos, perguntava: “entenderam ?”. A resposta era SIM. Aí eu chegava perto de um e dizia: “então me mostre como se faz”.

 

A marca da verdadeira riqueza é determinada por quanto a pessoa é capaz de dar.

Essa é fácil de entender e é superada, de longe, pela famosa oração de São Francisco: é dando que se recebe. Qualquer Professor sabe disso: sempre aprende com seus alunos.

 

Quando incito os amigos do Orkut a agirem, muitos dizem que não sabem “o suficiente”. Aqui com os meus botões, acho que é uma baita falta de patriotismo. O POUCO que você sabe, já seria MUITO para quem NADA sabe. Depois que li, décadas atrás, que um Engenheiro Agrônomo de Minas ganhou um prêmio nacional ao bolar um clorador portátil com garrafa de água sanitária com areia e cloro, e que acabou com a disenteria de uma cidadezinha inteira que bebia água de poço, é que me dei conta do alcance de uma informação técnica e sua difusão. Ele “deu” sua idéia e “recebeu” um prêmio nacional.

 

OBJETIVO DESTE TÓPICO

 

Mas vamos deixar de bla-bla-blá e dizer logo o que espero deste tópico. Nunca insisti em pedir a colaboração dos amigos nos tópicos que escrevo mas, neste, ela é fundamental. Espero discutir alternativas tecnológicas simples e de grande alcance (lembre-se do clorador-portátil-para-poço).

 

Vou dar um exemplo. O Globo de quinta-feira, 23/10/08, à pág. 14, publica uma reportagem de página inteira de Túlio Brandão sob o título Valões Oficiais. Trata-se de uma modalidade de estação de tratamento de esgoto – ETE chamada de “ETE com captação de tempo seco” (pois não funciona durante as chuvas) e “Estações de tratamento de rio” (todo o volume do rio é tratado através de um sistema de flutuação), a serem implantadas em áreas carentes do Rio de Janeiro. A justificativa é que, nas favelas é caro e difícil fazer as ligações domiciliares convencionais (rede de esgotos), que levam os efluentes até a ETE. É bom que se diga (e o jornal deixa isso bem claro num sub-título): Especialistas criticam as tecnologias. Bem, agora que você tem uma pálida idéia do que se trata (eu também), voltemos à “vaca fria”.

 

Quando ainda lecionava na UFRRJ, visitei à convite, a experiência piloto de um Professor de origem alemã da UFF, numa favela de Niterói-RJ. Junto com seus alunos, ele preparou uma casa para efeito-demonstração: captava água da chuva para consumo, no telhado e implantou uma fossa (criada na Alemanha e feita em fibra de vidro, mas relativamente barata) que fazia simplesmente o seguinte: além das fezes, reunia o lixo da residência e, como era inclinada e a casa estava numa encosta, abaixo do piso saía “adubo”, ou seja, composto orgânico. Em resumo: com uma simples calha+tambor+fossa, resolvia os principais problemas sanitários de uma residência: água, esgoto e lixo e, de lucro, DAVA o adubo e RETIRAVA a água que, se não fosse captada, desceria o morro para erodir a favela. Lembre-se de que 29% da população brasileira vive em favelas.

 

Não estou insinuando que a Caixa Econômica e a Petrobrás (com a dinheirama do PAC e do Pré-sal) financiassem uma fábrica de fossa-adubo (se bem que seria uma boa!) mas, no caso da ÁGUA, p.ex., se os moradores das favelas e os da BOP captassem água da chuva, as colocasse em garrafas PET com 2 a 4 gotinhas de água sanitária (as de 1 litro teriam 2 e as de 2 e 2,5 litros, 4 gotinhas) e, depois, ou invés disso (puro preconceito contra a água sanitária, imagino), as colocassem sob o sol direto durante 4 a 6 horas (isso foi comprovado cientificamente), resolveriam, em grande parte, o problema da água para beber.

 

Mas como PASSAR ESSA INFORMAÇÃO ? Aí está a verdadeira motivação deste tópico. Façamos um brainstorming (revolução ou tempestade mental, em tradução literal), aqui na comunidade virtual, para que possamos atingir a comunidade real. Eu “atiro a primeira pedra”: por comodismo e idade avançada, prefiro ficar aqui no Google procurando por “Associação de moradores de favela”, para “vender” ali a idéia, ou idéias. Aliás, já encaminhei mensagem à CUFA mas, até agora, não obtive resposta. Se quiserem tentar contato com um DEPUTADO, é só escolher no endereço aí de baixo. O que acham ? Qual a SUA sugestão ?

 

P.S.

Veja uma notícia que li hoje na Internet sobre a P´ETE (ou seja, a garrafa PET que é uma Estação de Tratamento de Água, ou ETE):

http://noticias.ambientebrasil.com.br/noticia/?id=41500

Tratamento de esgoto não convencional (de riachos):

http://www2.sirkis.com.br/noticia.kmf?noticia=5533610&canal=260&total=53&indice=30

Central Única de Favelas – CUFA:

http://www.cufa.org.br/

Câmara dos Deputados:

http://www.camara.gov.br/Internet/Deputado/DepNovos_Lista.asp

 

PENSAR PARA AGIR

 

Para o filósofo grego Sócrates (470-399 a.C.),

Quem sabe o que é bom acaba fazendo o bem.

(“O Mundo de Sofia”, J. Gaarder, 37 ed., Cia.Das Letras, São Paulo, 1999, pág.84)

 

Trocando em miúdos, Sócrates acreditava que o conhecimento do que é CERTO, leva ao agir CORRETO. E só quem faz o que é certo – assim dizia ele – pode se transformar num homem de verdade. Tudo o que tenho postado aqui, julgo ser de importância para os indivíduos que se preocupam com o meio ambiente e, portanto, acho certo. Acontece que, como as pessoas não gostam de “se expor” opinando nos posts que escrevo (aqui e no Orkut), fico sem saber se eu atingi o meu objetivo de conscientização. Agora, parei pra pensar, uma forma de me tornar mais efetivo na minha comunicação. Também mudarei meu FOCO: de VOCÊ para a COMUNIDADE.

 

A grande diferença entre um professor e um verdadeiro filósofo é que o professor pensa que sabe um monte de coisas e tenta enfiar essas coisas na cabeça de seus alunos. Um filósofo, ao contrário, tenta ir ao fundo das coisas dialogando com seus alunos.

Quero dar esse passo qualitativo (que presunçoso eu sou, hein!), saltando do meu ABC para FAÇA E ACONTEÇA, e discutindo idéias com você.

 

Para Sócrates, todas as pessoas são capazes de entender as verdades filosóficas, bastando para isto que usem a sua razão. O filósofo tenta entender algo que é eterno e imutável. Em resumo: não podemos ter senão opiniões incertas sobre tudo que sentimos ou percebemos sensorialmente. Mas podemos chegar a um conhecimento seguro sobre aquilo que reconhecemos com nossa RAZÃO. A nossa razão (ou será nossa consciência ?) nos diz que o pouco que já sabemos sobre meio ambiente, faria uma enorme diferença numa comunidade carente (da nossa própria cidade), por exemplo. Por mais insensível que você seja, eu não acredito que não se sentisse realizado ao informar para um favelado que a água contaminada que ele bebe, transmite doenças mortais e que o simples fato de colocá-la numa garrafa PET, ao sol por 6 horas, opera um milagre semelhante ao que fez Jesus transformando a água em vinho !

 

Mais um Filósofo Grego (Aristóteles)

O homem só é feliz se puder desenvolver e utilizar todas as suas capacidades e possibilidades., tais como:

a)     as suas satisfações;

b)     responsabilidades; e

c)      o dom de “filosofar”.

Ele também dizia que não devemos ser nem covardes, nem audaciosos, mas corajosos. (Coragem de menos significa COVARDIA e coragem demais significa AUDÁCIA). Também não devemos ser nem avarentos, nem extravagantes, mas generosos. (Generosidade de menos é AVAREZA e generosidade demais é EXTRAVAGÂNCIA). Pág. 131, você sabe…

 

Aplico este ensinamento aristotélico com a variedade de temas ambientais do meu ABC e de outros tópicos (que a turma nem imagina que já escrevi, por terem “afundado” nas comunidades) ambientais e, pode crer, me sinto feliz em poder ajudar. Faça, você também, a sua parte. Tenho certeza que vai se sentir muito bem consigo mesmo. Esse gesto, antes de ser “corajoso” ou “generoso” (termos usados por Aristóteles), ao meu ver é PATRIÓTICO. Ou você nem dá a mínima para que, como diz o nosso Hino, continuemos “dormindo eternamente em berço esplêndido” ?

 

É preciso também enfatizar que TER uma consciência e USAR esta consciência, são duas coisas diferentes. Razão e consciência poder ser comparadas a um músculo. Quando um músculo não é exercitado ele vai ficando cada vez mais fraco e indolente. Conclamo pois VOCÊ, meu caro amigo a exercer a sua cidadania, dando um pouco do seu esforço e/ou do seu conhecimento, para os mais necessitados.

 

 Os conhecimentos nos dão meios para viver. A sabedoria nos dá razões para viver. Ama a educação como fonte de esperança e transformação. Ama as crianças e os filósofos – ambos têm algo em comum: fazem perguntas.

Rubem Alves (Mestre em Teologia, Doutor em Filosofia, Psicanalista e Professor Emérito da UNICAMP).

 

PALAVRAS FINAIS

Se pudéssemos ter consciência do quanto nossa vida é efêmera, talvez pensássemos duas vezes antes de jogar fora as oportunidades que temos de ser e de fazer os outros felizes.

 

Nos calamos quando deveríamos falar; falamos demais quando deveríamos ficar em silêncio. Não damos o abraço que tanto nossa alma pede porque algo em nós impede essa aproximação. Não damos um beijo carinhoso “porque não estamos acostumados com isso” e não dizemos  que gostamos porque achamos que o outro sabe automaticamente o que sentimos.

 

Beth Norling (copiado da rede)

 

Faça a SUA parte, amigão !

 

 

Projeto Minhocasa

Vamos esclarecer algumas coisas? O maior problema da atualidade, nas grandes cidades e que originou um problema do tamanho do mundo, parece se chamar lixo, certo?

Alguém se lembra de nossas avós/mães dizendo que algo era sujo ou estava fedendo, para nos impedir de brincar com algo que caiu no chão, por exemplo? Bem, eu me lembro…

Crescemos achando que o resíduo gerado em nossas cozinhas, o tal lixo úmido, era ruim, fedorento, asqueroso. Eu escrevo e imagino a leitora fazendo cara de nojo ao pensar numa terrível casca de … mamão! Ui!

Brincadeiras à parte, o problema do lixo nos acompanhou desde os tempos primordiais do Homem reunido em sociedades mais ou menos organizadas. Por ser considerado asqueroso, através dos séculos, o Lixo (com L maiúsculo, mesmo!) foi sendo literalmente jogado para baixo tapete, não somente por nós indivíduos componentes das Sociedades Urbanas mas, principalmente, pelas grandes indústrias. Esgoto jogado no Mar, resíduos de fábrica jogados nos rios, lençóis freáticos contaminados, enfim… um problema que agora explode na nossa cara e se chama Impacto Ambiental de proporções catastróficas.

E então se descobre que o Lixo Tóxico produzido pela China, na forma de placas de componentes eletrônicos (computadores, baterias de celular, pilhas, etc) acabam jogados aqui, num lixão em Gramacho ou em outra cidade de periferia do nosso País. Ficamos indignados, não é? Com efeito, algo precisa ser feito. Pressionar as autoridades para que criem uma melhor destinação para o Lixo Tóxico parece ser uma excelente medida mas, o que fazer com o lixo de nossa própria casa ? Para começar, vamos a partir de agora chamar todo e qualquer produto ou subproduto gerado pelo nosso consumo doméstico de “resíduo”.  O resíduo seco, papelão, vidro, latinhas de alumínio, etc, pela própria carência de nossas populações, esse, já tem destino certo, que o Brasil é o país das soluções por conta da inventividade (e da necessidade por que passa) o seu povo. O problema está nos tais resíduos “imundos”, o lixo úmido que acaba gerando mais metano, quando jogado nos lixões, e cujo resíduo, o chorume, vai contaminar, lá no fundo, lá embaixo da terra, os queridos e necessário lençóis freáticos…

Prá tomar conta desse problema ambiental, vigiar se as Indústrias estão jogando metais pesados em local proibido, derramando óleo em rio, em oceano, digamos que a gente tem a mídia e os órgãos constituídos por … nós.  E prá tomar conta desse resíduo que sai da nossa casa? Quem vamos chamar ?

Hoje eu trouxe um vídeo legal, que vai chocar a maioria das pessoas, então querido leitor, se você não tem estômago forte e sente nojo de minhocas, é melhor não clicar no Play. O vídeo que vou mostrar, ensina a construir um minhocário para casas e até apartamentos, que além de produzir humus que é o “adubo feito pelas minhocas”, permite equacionar o problema do resíduo de nossas cozinhas.

Projeto Minhocasa!

Enquanto estava escrevendo esse post, vi no Globo, um artigo que vale à pena transcrever e que só vem confirmar o que eu estava pesquisando.

“Cientistas descobriram como minhocas que consomem metal pesado acabam ajudando plantas a limpar solo contaminado.

Pesquisadores da Universidade de Reading, na Inglaterra, encontraram mudanças sutis nas propriedades de metais à medida que minhocas ingeriam e expeliam o solo onde esses metais se encontravam.

Essas mudanças fizeram com que fosse mais fácil para as plantas absorver metais pesados – altamente tóxicos e prejudiciais à saúde humana – da terra.

As plantas podem normalmente absorver metais pesados do solo e incorporá-los em seus tecidos, mas esse é um processo que pode levar bastante tempo.

Por isso, se as minhocas podem fazer com que os metais se tornem mais fáceis de ser absorvidos pelas plantas, elas se tornarão as “guerreiras ecológicas do século 21”, disseram os cientistas no British Association Science Festival, em Liverpool.

Segundo os pesquisadores, as minhocas são verdadeiros “detetives do solo”: a presença delas pode ser um indicativo sobre a saúde geral da terra.

Esse papel é possível porque as minhocas desenvolveram um mecanismo que permite que elas sobrevivam em solo contaminado com metais tóxicos, incluindo arsênio, chumbo, cobre e zinco.

“As minhocas produzem um tipo de proteína que envolve determinados metais e as mantêm seguras (de intoxicação)”, explicou o pesquisador Mark Hodson.

A análise dos metais foi possível com o uso de um equipamento chamado Diamond Light Source, que utiliza a tecnologia de raios-X para determinar a propriedade de partículas “mil vezes menores do que um grão de sal”.

Para mais notícias, visite o site da BBC Brasil

E, para arrematar, que o post já está longo demais, deixo uma receitinha de como construir um minhocário, a partir de garrafas pet! Melhor do que isto…

Extraído do Blog “Verde Segredo“, que vale à pena visitar.

 

 

Materiais necessários para cada minhocário
Uma garrafa pet de 2 litros e uma menor de água mineral brita ou pedrinhas, terra, saco de lixo preto, minhocas.Procedimentos
Corte a garrafa pet tirando o bocal. No fundo da garrafa pet coloque brita (não há necessidade de furar o fundo da pet). Sobre a brita coloque a garrafa menor (com água e tampa) dentro da garrafa pet. Ao redor, despeje a terra e largue as minhocas. Após terminar, utilize um saco de lixo escuro para envolver a garrafa, pois as minhocas não são acostumadas com claridade. Não é necessário molhar, pois a garrafinha com água fornece umidade para a terra, a não ser que seja uma região de excessivo calor, molhe de vez em quando, podendo colocar alguns lixos orgânicos sobre a terra para alimento das minhocas. Depois de dias, ao tirar o saco de volta da garrafa poderemos observar os caminhos das minhocas bem definidos. Volte a cobris com o saco de lixo evitando a luz para as minhocas.”

O projeto Minhocasa, pode ser conhecido clicando Aqui .


Sabiam que, depois de aprender tanto sobre minhocas eu acabei achando que elas são as melhores amigas do Homem?

 

Leia tambem Ecologista era sua Avó

Uma Horta Suspensa

Por Cristiane Marangon

Canteiros Suspensos

Os vasinhos vão comprovar a importância da terra e das plantas e despertar na turma a responsabilidade pela natureza

Para mostrar aos alunos que muitos dos alimentos que consomem são produzidos pela terra, nada como montar uma horta. O trabalho se torna ainda mais rico quando eles aprendem a plantar e a colher os vegetais. Mesmo que a escola não tenha uma área livre para esse fim, é possível desenvolver o trabalho.

O modelo aqui proposto, com vasos feitos de garrafas PET, possibilita cultivar temperos, como salsinha e cebolinha (foto), ervas medicinais e flores, todas plantas com pouca raiz. Embora seja uma horta compacta, seus produtos podem ser consumidos. Aproveite-os no enriquecimento da merenda escolar.

Quando o trabalho é desenvolvido com crianças, prefira as sementes às mudas. Assim elas podem acompanhar todo o processo de germinação. Ensine a turma que para as plantas crescerem viçosas é necessário que tomem cinco horas de sol por dia. Por isso, devem ficar fora da sala de aula. Também precisam de água diariamente. No período de calor, são duas regas, uma de manhã bem cedo e outra no final da tarde. Na hora da colheita, um cuidado é essencial para evitar que as raízes da salsinha e da cebolinha morram: cortar as ervas três dedos acima da terra.

De acordo com Marcelo Alexander Mattiuci, coordenador de Educação Ambiental da Associação Ituana de Proteção Ambiental, o fato de a horta estar vistosa não é o mais importante num trabalho desse tipo. “O que realmente interessa é que o aluno crie responsabilidade em torno de tudo o que diz respeito à natureza e também ao lugar em que vive, como a escola, ou a sua casa.”

Material necessário

  3 garrafas PET vaziasMaterial
  3 suportes para floreira
  1,2 quilos de terra
  800 gramas de adubo
  1 quilo de areia
  Sementes de salsinha e   cebolinha
 Água
 Estilete
 Tesoura
12 parafusos com bucha
Pá e rastelo

Como fazer

1. Corte as garrafas
Com o estilete, faça uma abertura de 13 por 20 centímetros nas três garrafas. Duas delas, que servirão de jardineiras, devem ser furadas na parte de baixo para que a água escorra (foto). A terceira garrafa terá a função de armazenar a água excedente da rega.

Cortando a garrafa PET

 2. Prepare a terra
Misture três partes de terra com duas de esterco de gado bem curtido, que não tem cheiro como o de galinha. Coloque a terra em duas garrafas, plante as sementes e regue.

3. Evite a água parada
Coloque areia na terceira garrafa, que funcionará como prato. Assim, você impede que surjam na água focos de mosquito da dengue.

4. Pendure a horta
Escolha uma parede em que bata bastante sol e fixe os suportes, deixando 20 centímetros de espaço entre um e outro. Pendure as jardineiras a uma altura que permita às crianças ver as plantas.

faca_5.jpg

Outra opção
Se você preferir, pode montar sua hortinha utilizando outros modelos de suporte.
No mercado existem vários tipos. Outra opção é pendurar as garrafas com cordas finas, que são mais baratas. Para deixar os vasos ainda mais bonitos, pinte-os com tinta acrílica, como o da foto ao lado.

Outra dica interessante da Gilda Lima, lá do Multiply, é que se pode plantar pimentões, a partir das sementes que descascamos! Eu aqui, planto tomates e vou tentar plantar nesses vasinhos estilosos também! Abriu a geladeira e o tempero acabou ou está murcho? Não tem problema, vamos pegar lá na horta da varanda!

Fonte: http://novaescola.abril.com.br

Até as Cascas! Dicas para economizar de forma saudável

 

 Algumas atitudes comuns do dia a dia praticadas pela maioria da população, como por exemplo, cozinhar os alimentos como cenoura, chuchu, e legumes em geral sem a casca, podem retirar as barreiras naturais de proteção destes alimentos contra a perda de seus elementos nutritivos durante a fervura. Excluindo a casca comestível de algumas frutas, acabamos perdendo muitas fibras, que são importantíssimas para o bom funcionamento do intestino. Também não se deve cozinhar os legumes em água e depois jogá-la fora, já que todas as  vitaminas hidrossolúveis (aquelas diluídas na água) se perdem. 

Você quer saber mais dicas? 

  • Dicas para evitar maiores perdas dos alimentos:

  • Quando for usar uma metade de abacate, deixe a outra com o caroço – isso evita que ela se deteriore com rapidez;

  • A abóbora é altamente nutritiva, e devemos nos lembrar de aproveitá-la inteira: casca, folhas, polpa e o cabo. Seus caroços, quando torrados com sal, servem como aperitivo. Use o mesmo procedimento para a soja e sementes do melão;

  • Cascas, talos e folhas das hortaliças são ricos em fibras e podem ser utilizados em refogados, sopas, bolinhos, recheios para tortas, farofa e etc;

  • Não adicione bicarbonato de sódio ou outras substâncias químicas na água do cozimento para acentuar sua cor. Alguns nutrientes são destruídos por elas;

Agora, aprenda a reaproveitar sobras de alimentos em algumas receitas interessantes com ingredientes que você nunca pensou em utilizar na sua cozinha:

Pó de Casca de Ovo Separe a casca, ferva por cinco minutos e seque ao sol. Bata no liquidificador e depois passe por um pano fino. Deve ficar como pó. Utilize uma colherinha nos refogados, sopas, arroz, feijão, molhos, etc.. O pó de casca de ovo é riquíssimo em cálcio, nutriente importante para o crescimento e prevenção da osteoporose, na gravidez e amamentação.

Talos de Agrião Faça bolinhos ou refogados com carne moída.

Folhas de Brócolis ao Forno

600 g de folhas de brócolis (1 pé)
2 ovos batidos
2 colheres (sopa) de margarina
¼ xícara (chá) de farinha de rosca
2 colheres (sopa) de queijo ralado
sal à gosto
Cozinhe um pouco as folhas de brócolis com sal e escorra. Misture a farinha de rosca com a margarina derretida e junte todos os outros ingredientes, menos o queijo ralado que deve ser salpicado por cima. Asse em forno moderado por 30 à 40 minutos.

Cascas de Goiaba

Lave-as bem e bata-as no liqüidificador com água. Adoce à gosto.

Cascas da Maçã

Utilize-as no preparo de sucos e chás.

Doce de Casca de Maracujá

Lave 6 maracujás, descasque-os deixando toda a parte branca e dura com água. Deixe de molho de um dia para outro. Escorra, coloque em uma panela com 2 xícaras de açúcar e 3 xícaras de água. Deixe apurar. Se desejar acrescente canela.

Folhas de Couve-Flor

Prepare sopas com folhas desta hortaliça.

Bolinhos de Folhas de Beterraba

1 copo de talos e folhas lavadas e picadas
2 ovos
5 colheres (sopa) de farinha de trigo
2 colheres (sopa) de água
Cebola picada
Sal à gosto
Óleo para fritar
Bata bem os ovos e misture os outros ingredientes. Frite os bolinhos em óleo quente e escorra em papel absorvente.

Folhas de Uva

Podem ser enroladas com carne moída e servidas com molho de tomate.

Folhas de Figo

Pode-se utilizá-las no preparo de licores, chás ou xaropes.

Doce de Casca de Banana

5 copos de cascas de banana nanica, bem lavadas e picadas
2 1/2 copos de açúcar.
Cozinhe as cascas, em pouca água, até amolecerem. Retire do fogo, escorra, reserve o caldo do cozimento e deixe esfriar. Bata as cascas e o caldo no liqüidificador e passe por peneira grossa. Junte o açúcar e leve novamente ao fogo lento. Mexendo sempre, até o doce desprender do fundo da panela.

Aperitivo de Cascas de Batata

Cascas de batata
Óleo e sal.
Lave as cascas e frite-as em óleo quente, até ficarem douradas e sequinhas. Tempere à gosto.

Pó de Folha de Mandioca

A folha de mandioca é rica em vitaminas e ferro. Seque as folhas de mandioca na sombra e depois bata no liqüidificador. Use uma pitada de sal ao preparar um prato.

Molho de Cascas de Berinjela para Massas

2 dentes de alho picados
3 colheres (sopa) de óleo
2 copos de cascas de berinjelas cortadas em tiras de 1 cm de largura.
1 1/2 copo de água
Sal e pimenta do reino à gosto
1 colher (chá) de orégano
4 tomates sem pele e sem sementes ou
6 colheres (sopa) de polpa de tomate.
Doure o alho no óleo. Junte as cascas de berinjelas e refogue por 5 minutos. Junte a água, o sal, a pimenta do reino, o orégano e os tomates. Cozinhe por uns 5 minutos até engrossar ligeiramente. Dá para meio pacote da massa de sua preferência.

Bolinho de Talo de Brócolis

2 xícaras (chá) de talos de brócolis cozido
2 ovos
1 cebola média picada
Sal à gosto
6 colheres (sopa) de farinha de trigo
Óleo para fritar.
Bata no liqüidificador os talos cozidos juntamente com os ovos. Retire e misture os ingredientes restantes. Frite as colheradas em óleo quente.

Rama de Cenoura

Com o ramo de cenoura, experimente preparar bolinhos, sopas, refogados e enriquecer tortas e suflês .

Ramas de Cenoura Crocantes

1 xícara de farinha de trigo
1 colher (sopa) de óleo
Sal a gosto
30 raminhos de folhas de cenoura
Óleo para fritar
Misture a farinha com o óleo, o sal e 1/2 xícara de água. Passe ligeiramente os raminhos na massa sem cobrí-los totalmente e frite no óleo quente.

Doce de Casca de Melancia

Cascas de 1/2 melancia
1/2 kg. de açúcar
Cravo à gosto
Canela em pau à gosto
Remova a parte verde da casca, passe a polpa branca pelo ralador grosso e reserve. Misture o açúcar com 1/2 copo de água, junte cravo, canela e faça uma calda deixando ferver por 10 minutos .

Patê de Talos de Legumes

2 colheres de talos de beterraba e de espinafre
1 copo de ricota ou maionese
Sal e pimenta à gosto.
Bata tudo no liqüidificador. Sirva gelado.

Pudim de Casca de Goiaba

1 copo de suco de casca de goiaba
1 copo de água
2 colheres bem cheias de maisena
3 colheres bem cheias de açúcar.
Dissolva a maisena, junte os demais ingredientes e misture bem. Leve ao fogo mexendo sempre até engrossar. Despeje em forma umedecida e leve à geladeira.

Geléia de Casca de Abacaxi

Cascas de um abacaxi
4 copos de água
Açúcar, o quanto baste
3 colheres bem cheias de maisena .
Lave com uma escovinha as cascas do abacaxi. Bata as cascas junto com a água no liqüidificador. Passe por uma peneira. Junte o açúcar e a maisena dissolvida. Leve ao fogo e deixe cozinhar bem. Despeje em pirex previamente umedecido. Sirva gelado.

A receita abaixo foi extraída do livro “Diga não ao desperdício” – Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo

Doce de Casca de Abacaxi com Côco

Casca de 1 abacaxi picada
2 xícaras (chá) de açúcar
1 pacote de 100g de côco ralado
1 colher (sopa) de margarina
Descasque 1 abacaxi, lave a casca e ferva com um pouco de água.
Bata a mistura no liquidificador e coe.
A parte que ficou na peneira leve ao fogo em uma panela e acrescente o açúcar, o côco, a margarina e o cravo, se quiser.
Mexa sempre até desprender do fundo da panela. Dá 16 porções

Por
Equipe de Jornalismo
Planeta Natural
jornalismo@planetanatural.com.br

Quer saber mais sobre o assunto?

Visite a Comunidade no Orkut: Nada se Perde, Tudo se Aproveita,  que fica em http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=13790462 

 

Assista o vídeo excelente do Globo Repórter onde se aprende a fazer “Sal de Ervas”, que é uma mistura simples, excelente para combater o colesterol e a pressão alta, além de dar mais dicas sobre o cozimento dos alimentos em tempo mínimo, numa economia de gás e a manutenção dos nutrientes dos vegetais. O bolso agradece, além da nossa saúde (e a do Planeta também)! Clique na imagem abaixo, para assistir .

Globo Repórter

Assista ainda o vídeo do Programa Cidades & Soluções, com o Jornalista André Trigueiro, dessa vez, falando sobre o desperdício e iniciativas de alguns CEASAS de cidades do Brasil. Porque não no Rio de Janeiro ? Essa é a pergunta que não quer calar.

Ecologista era a sua Avó!

Pergunte à sua Avó:

Galinhas no Quintal

Se ela já teve um quintal onde criava galinhas e patos, além de gatos, cachorros e um papagaio ou maritaca que apareceu, fugindo de algum vizinho …

Pergunte à sua avó se ela jogava restos de verdura para as galinhas, se usava borra de pó de café nas plantas, se jogava cascas de legumes no jardim para fazer “adubo” e  se não aproveitava todo pão dormido para fazer farinha de rosca ou torradinhas para acompanhar a sopa. Pergunte a ela se ela fazia goma em casa e se sabia de um cházinho para cólicas menstruais.

No quintal de nossos avós, haviam árvores, enormes, já centenárias e plantinhas de todos os tipos que eles cuidavam, sem que soubéssemos o nome mas protegiam-nas de nossa curiosidade cruel, dizendo “não arranque as folhas, elas sentem dor”.  Nossas avós sabiam fazer chás de ervas que curavam resfriado, tosse, conheciam como usar sabugueiro para fazer desaparecer as vesículas de catapora,  não usavam óleo de soja e sobreviveram, não usavam caldo Knorr mas sabiam fazer um guisado ou ensopado como ninguém e tudo tinha um sabor diferente, típico de casa de avó. Não haviam saponáceos para tirar limo de banheiro e elas lavavam o rosto, pela manhã, com água e sabão de coco… Sobreviveram à falta de shampoos variados e esfoliantes para a pele. Muitas, como a minha mãe, só foram usar máquinas de lavar há coisa de poucos anos e sobreviveram. Não haviam absorventes higiênicos, recheados de algodão, nem fraldas descartáveis e eu me lembro da minha mãe lavando dezenas de fraldas de pano para minha filha, as fraldas balançando ao sol, clarinhas, cheirosas, limpinhas.  

 Quando olhamos para trás, na maior parte das vezes constatamos que nossos avós foram muito mais pobres do que nós e lutaram muito para conseguir alguma coisa. A maioria morreu sem conseguir grandes avanços materiais e enriquecimentos, mas apesar disso, viviam tranquilos, certos de que Deus estava no controle das coisas e que o que “tinha de ser” acabaria sendo, de uma forma ou de outra. Também falavam do futuro, um futuro distante, quando o homem teria dinheiro para comprar e não teria o que comprar. falavam que o mundo ia se acabar em fogo, já que havia se acabado em água uma vez (mencionando o grande dilúvio).

 Nossa sociedade rapidamente “evoluiu” e hoje dizemos  ser impossível viver sem os confortos da sociedade moderna. Nem pensar em não ter um microondas, ou como sobreviver sem uma boa máquina de lavar ou um aparelho de ar condicionado? Às vezes a gente pega o carro para ir à esquina e não se dá conta de que isso tem um “custo”.

Com o rótulo da praticidade, a mulher moderna pode trabalhar fora e voltar feliz, sabendo que um jantar congelado a espera, cheio de temperos artificiais, que dão sabor especial e a sensação de “dever cumprido” à todas nós.  Alimentamos nossas famílias, com enlatados, congelados, embutidos, hamburgueres e frios. Já existem até mercados vendendo legumes e verduras picados, maravilha das maravilhas… Caminhamos para  um mundo do ócio perfeito, onde sobraria, teoricamente, mais tempo para o lazer e a felicidade.

Felicidade

Toda felicidade tem um preço, toda ação, uma reação.  O custo de tamanho conforto e praticidade é o esgotamento dos recursos renováveis do planeta. Não, não estou falando de petróleo nem de água. Estou falando das outras coisas que não se mensura, tais como a capacidade de recuperação dos oceanos, entulhados de partículas de plástico, derivadas do imenso depósito que ali se amontoa, dos produtos que diariamente escoamos pelos ralos. Falo dos papéis que não reciclamos, que não reutilizamos, que não evitamos de imprimir.  Falo do ar condicionado ligado horas antes para deixar o quarto “mais fresquinho” na hora de dormir. Falo de quilos de pilhas que descartamos sem culpa, no Meio Ambiente, poluindo o ambiente inteiro, casa Terra, onde nós e nossos irmãos menores, os animais irracionais habitamos.

Devemos perguntar rapidamente às nossas avós, como era a vida no antigamente delas e tenha certeza de que o que elas vão ensinar, não tem nada a ver com coisas cafonas, fora de moda, absurdas. O que elas têm prá ensinar, serão primordiais e providenciais para nossa urgente e necessária nova forma de viver. Por escolha, ou por imposição das profundas mudanças climáticas que já se fazem presentes. Ainda podemos escolher. O que não podemos mais é, sequer cogitar, não mudar nada. 

Prá finalizar, pergunte à sua avó se ela tinha uma bolsa enorme feita de vime ou de nylon, que serviu durante anos para fazer compras e antes que fosse descartada por estar rasgando, transportou toneladas de alimentos para famílias que se reuniam felizes ao redor da mesa, nos almoços de domingo.

Seria preciso que voltássemos ao tempo das nossas avós para sentir a tranquilidade, a segurança e a felicidade que não conseguimos nos nossos tempos modernos, tecnológicos e tão incertos, como nunca antes foram.

Cláudia Costa

Este cartaz foi veiculado recentemente e amplamente distribuído numa parceria do Projeto Tamar-IBAMA e o Aquário de Ubatuba.

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