RISCOS DE ACIDENTES COM MÁQUINAS

Engo. Agro. José Luiz Viana do Couto

jviana@openlink.com.br

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máquina (*)
(latim machina, -ae
s. f.

1. Aparelho destinado a produzir movimentos ou a transformar determinada forma de energia.

2. Instrumento ou aparelho formado de peças móveis. =MAQUINISMO, MECANISMO.

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Conforme a ABNT NBR NM 213-1:2000 – Segurança de máquinas, PERIGO á a causa capaz de provocar uma lesão ou um dano à saúde. RISCO é a combinação da probabilidade e da gravidade de uma possível lesão ou dano para a saúde, que possa acontecer em uma situação perigosa. Ou seja, para ser definido o conceito de risco, precisa-se do conceito de perigo.

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Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego – MTE (**), dos 393.600 acidentes do trabalho ocorridos no Brasil em 1999, cerca de 98.400 (ou 25% dos acidentes graves e incapacitantes) foram devidos a problemas com máquinas. O total de acidentes pulou para 748 mil em 2008.  E olhe que as estatísticas não cobrem os trabalhadores informais – sem carteira assinada – que formam cerca de 60% do total.

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Com o avanço da consciência ambiental no Brasil, a cada dia é maior o número de máquinas que colaboram com a defesa do Meio Ambiente. A Eng. Mecânica Isabel da Silva e o Eng. de Segurança Bráulio Souza, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, publicaram o artigo A melhor alternativa (Revista Proteção | No. 239 | Novembro/2011 | pág. 76), divulgando um método fácil e intuitivo de calcular o Risco de Acidentes com Máquinas, mostrado na Figura abaixo.

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Imagem

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MMÁQUINAS UTILIZADAS NA PROTEÇÃO AMBIENTAL

 

Entre as máquinas utilizadas rotineiramente no Brasil em proteção do meio ambiente, poderíamos relacionar os seguintes grupos:

a)    Utilizadas em estações elevatórias e de tratamento de água, esgoto e chorume;

b)   Tratamento e recuperação de efluentes industriais e da agroindústria;

c)    Reciclagem dos RSUs, RCDs e aproveitamento do gás do lixo – GDL;

d)   Catalizadores do escapamento de veículos auto-motores; e

e)    Outras.

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NÚMERO DE CLASSIFICAÇÃO DE RISCO

(Hazard Rating Number – HRN, em ingles)

 

Um dos 3 métodos apresentados na reportagem da Revista Proteção e que serviu de base para ilustrar este texto. Apesar de simples e lógico, deve ser aplicado individualmente para cada risco existente na máquina. Ou seja, se houver cinco pontos de riscos, o método deve ser repetido 5 vezes (para a mesma máquina). Entretanto, para fins didáticos, foi considerado somente um perigo existente por máquina, na planilha Excel da Figura acima.

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Os principais Fatores Humanos nos Acidentes estão relacionados nesta minha página sobre Riscos de Acidentes na Zona Rural (***). 

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(*) http://www.priberam.pt/dlpo/

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(**) http://www.mte.gov.br/seg_sau/pub_cne_acidentes_trabalho.pdf

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(***) http://www.ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/trator.htm

JL3X4Orkut

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ME DÁ UM TEMPO !

Engo. Agro. José Luiz Viana do Couto
jviana@openlink.com.br

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Uma das coisas que diferencia as pessoas bem-sucedidas das demais é o uso que elas fazem do seu tempo, diz o pedagogo Luiz Moreno (Gestor: escravo ou dono do tempo ?, Revista Gestão Educacional, novembro 2011, pág.29).
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Tirando o tempo gasto nos deslocamentos casa-trabalho, que em algumas cidades grandes, é considerável, o restante do nosso dia/noite, nós podemos “gerenciar”. Desconfie das pessoas que dizem “não ter tempo pra nada”.
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Tive um amigo que, toda noite antes de deitar, fazia uma revisão mental de como havia distribuído o seu tempo durante o dia, e o que de produtivo havia conseguido fazer. A Figura abaixo reflete mais ou menos esta filosofia. Pense!
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Figura: HOMEM PENSANDO (escultura de Rodin)
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RECOMENDAÇÕES PARA O USO DO TEMPO

1 – PLANEJAR
Adote um plano de ação para o seu dia. Não deixe que suas ocupações diárias lhe roubem o tempo de planejar.
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2 – CONCENTRAR-SE
Aqueles que têm sérios problemas com a falta de tempo estão, quase sempre, tentando fazer coisas demais simultaneamente.
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3 – FAZER PAUSAS
Trabalho contínuo por longos períodos faz com que a sua energia diminua, o tédio se instale, venha o cansaço físico e a tensão se acumule. Digo que é o [u]ócio criativo[/u] (veja o meu exemplo, ao final deste texto).
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4 – EVITAR A DESORDEM
Significa que você não vai empregar tempo em procurar as coisas. E o rendimento do seu serviço aumenta (o complemento é meu).
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5 – NÃO SEJA PERFECCIONISTA
O seu esforço para conseguir o ótimo é alcançável, reconfortante e salutar mas, o seu empenho para atingir a perfeição, é quase inatingível, frustrante e neurótico.
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6 – NÃO TENHA MEDO DE DIZER NÃO
Tem muita gente que se preocupa em não ofender os outros e acaba vivendo segundo as prioridades alheias.
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7 – NÃO ADIAR
Não faça as coisas com pressa excessiva, mas tome a iniciativa, dê o primeiro passo e continue.
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8 – CIRURGIA RADICAL
Se perde tempo com o que o aborrece (hábitos, rotinas e atividades) e o afastam dos seus objetivos, acabe com eles.
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9 – DELEGAR
Concentre-se nas questões importantes e delegue as demais (mas fique sempre de olho) para os seus subordinados.
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A MINHA EXPERIÊNCIA
Aproveite as oportunidades
Na única vez em minha vida profissional em que assumi um cargo de chefia, na década de 70, foi como Diretor do Departamento de Projetos e Financiamentos da Pesca Comercial, na Superintendência do Desenvolvimento da Pesca – SUDEPE, um órgão do Ministério da Agricultura, localizado aqui no Rio de Janeiro. Mais de 130 empresas de pesca, a maioria do Sul do país, tinham liberados recursos do Imposto de Renda para aplicarem no desenvolvimento da pesca comercial. A burocracia era infernal, com dezenas de análises técnicas, administrativas e contábeis para a liberação dos recursos. Empresários ou seus prepostos visitavam diariamente minha sala, querendo saber o andamento do seu processo e a data da liberação dos recursos. Na ocasião, não havia Internet e o desvio momentâneo (do trabalho) de um dos meus funcionários para informar o andamento, era improdutivo e criava uma intimidade indesejada por um possível favorecimento. Logo no início, vendo a situação calamitosa da atividade, parei para pensar e decidi: na parte da manhã, não faria parte da rotina e a usaria apenas para PENSAR. Antes, me inteirei de toda a rotina.
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Em pouco tempo, criei um Quadro grande de camurça (com linhas de costura esticadas a letras feitas numa fita de PVC com uma maquineta manual) enfeitando a minha sala onde, nas linhas, relacionei todas as 130 empresas dependentes de liberação e, nas colunas verticais (como numa Planilha Excel), as várias etapas burocráticas que os pedidos de dinheiro feitos pelas empresas deveriam percorrer, até o final. Recomendei aos funcionários que, ao despacharem o processo de uma dada empresa de um setor para o outro, fossem até o tal quadro e espetassem um alfinete com bolinha de cor na ponta, na linha e coluna respectiva.
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Pronto. Matei 2 coelhos com uma só cajadada: resolvi o problema burocrático e fiquei com mais tempo para simplificar os formulários com a decisão final da liberação que, antigamente, tinha várias folhas e eu (com a ajuda de um amigo Economista da empresa) reduzi para apenas três.

ÁGUA DA CHUVA BENÉFICA PARA CIDADES

Engo. Agro. JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO
jviana@openlink.com.br

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Parece contra-senso dizer que água da chuva é benéfica para cidades, quando vemos ocorrerem tantas catástrofes causadas por temporais nestes tempos de aquecimento global. O artigo do Eng. Agrônomo Jeferson A. Lima, da UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso) e auxs.: Potencial da economia de água potável pelo uso de água pluvial: análise de 40 cidades da Amazônia (revista Engenharia Sanitária e Ambiental | v.16 n.3 | jul/set 2011 | 291-298) prova o contrário.
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RESUMO
A escassez de água é um problema cada vez mais severo em todo o mundo devido a fatores como o consumo excessivo de água bruta, as mudanças climáticas, a poluição da água e o consumo insustentável dos recursos hídricos. Sob essas condições, formas tradicionais ou alternativas de recursos hídricos, tais como a água pluvial, estão sendo consideradas como opções atrativas para reduzir o consumo de água potável. Neste contexto, este artigo descreve o cenário de disponibilidade de água na região Amazônica, Noroeste do Brasil, e avalia o potencial da economia de água potável para o setor residencial em 40 cidades da região. Os resultados indicam que o potencial da economia de água potável varia entre 21 e 100%, dependendo da demanda de água potável verificada nas 40 cidades, com potencial médio de 76%. A principal conclusão desta pesquisa é que, se houvesse um programa do governo para promover a economia de água potável por meio da utilização da água pluvial, haveria significativa economia de água potável e, consequentemente, a preservação dos recursos hídricos na Amazônia.
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Outra aparente contradição: falar em economia de água na região com a maior bacia hidrográfica do mundo. Pois acredite que é verdade. Analisando dados de chuva da Amazônia Ocidental (porção do extremo Oeste, justamente onde foi feita a pesquisa), quando eu ainda lecionava Irrigação e Drenagem na UFRRJ, constatei a necessidade de irrigação (apenas durante 1 ou 2 meses), pelo Balanço Hídrico de Thornthwaite & Matter. E as secas nos rios da Amazônia que a imprensa noticia, estão aí para não deixar que digam que estamos mentindo.
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O colega Agrônomo começa dizendo que “O aproveitamento da água de chuva para consumo potável em residências (o grifo é nosso) é utilizado há anos em países como Austrália, Alemanha, Estados Unidos e Japão” (citando fontes). Observe que todos eles são países desenvolvidos. Digo isso porque aqui no patropi, torcemos o nariz quando se fala em beber água da chuva. E continua: “Estudos realizados nas residências desses países indicam que a economia de água é usualmente superior a 30%, dependendo de diversos fatores como demanda, área de telhado e precipitação”.
E olhe que nesses países não chove tanto como aqui. A média anual de chuva na Amazônia Ocidental (Estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima) varia entre 1.400 a 2.600 mm/ano. Lembro que 1 mm = 1 litro por metro quadrado.
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METODOLOGIA
Para o cálculo do potencial de aproveitamento da água pluvial, o autor seguiu a metodologia de Ghisi et al. (2006), que necessita de dados de:
a) Precipitação média mensal;
b) População atendida por rede de água;
c) Consumo de água potável;
d) População da cidade;
e) Número de residências; e
f) Porcentagem de casas e apartamentos da cidade.
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Os dados de chuva foram obtidos na Agência Nacional de Águas – ANA; a população atendida pelo serviço de abastecimento de água, consta do Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento – SNIS; o consumo de água potável pode ser informado pela empresa de saneamento ou a Prefeitura; a população da cidade é fornecida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, bem como o número de pessoas por domicílio; e a % de casas e aptos. pode ser conseguida na Prefeitura.
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Me parece que o dado mais difícil de se obter é este último, além da área de telhados das residências. Mas nada que uma amostragem a partir de uma fotografia aérea, uma imagem de satélite ou o próprio Google Earth não resolva. No estudo acima, o autor utilizou a área de telhados adotada por GHISI e igual a 85 m2 para casas e 3,75 m2 por pessoa para apartamentos.
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RESULTADOS
Utilizando equações simples para calcular: a) o número de pessoas por domicílio; b) o número de domicílios abastecidos pelo serviço de água; c) a área total do telhado; d) o volume de chuva; e e) o potencial de economia de água potável, o autor achou que o número de pessoas por domicílio, nas 40 cidades, encontra-se entre 2,9 e 5,7 com média de 3,6 (abaixo da média da região Norte do Brasil, que é de 3,9 hab./resid., IBGE, 2007).
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A % média de casas e apartamentos para todas as cidades é de 98 e 2%, respectivamente. Manaus-AM, a mais populosa (~ 1,6 milhões habitantes) mostrou para esses índices: 90 e 10%.
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A área média do telhado por domicílio para as 40 cidades, foi de 83,7 m2, variando de 80 a 85 m2. Novamente a exceção foi Manaus com 77,4 m2.
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A média de consumo de água por cidade é de aprox. 102 L/hab.dia, variando de 48 a 213 (cidade de Cacoal, Rondônia).
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Quanto ao potencial de economia de água potável, que variou entre 21 e 100% (média de 76%), a cidade de Rorainópolis-RR foi a única que obteve o máximo para todos os meses do ano, enquanto Manacapuru-AM não obteve valores superiores a 35%. O consumo de água tratada para fins não-potáveis em residências no Brasil é usualmente inferior a 50% (Bressan; Martini, 2005). Cerca de 95% das cidades analisadas apresentaram potencial de economia de água superior a 50% (maior que o da Região Sudeste do Brasil, que fica entre 16 e 39%).
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O colega do artigo estudou 40 cidades de uma só vez. Você – se for do ramo – por que não estuda , pelo menos, a SUA ? Fica aqui a sugestão. A Natureza agradeceria.
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Na 1ª. Página de O Globo de hoje está estampado que “43% dos alunos ´alfabetizados´ não sabem ler”. Será que nós Ambientalistas e experts no assunto, pela nossa inércia, vamos continuar ignorando uma água pura que Deus nos manda do céu ?

DE VOLTA PARA O FUTURO

(Parte 2)
Engo. Agro. JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO
jviana@openlink.com.br
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Semanas atrás, ao ler minha correspondência eletrônica, fui surpreendido com uma mensagem de parabéns por ter sido sorteado para um curso presencial intensivo (de uma semana e que, soube depois, custa R$740/aluno) de ArcMap no LabGIS da Universidade do Estado da Guanabara – UERJ, aqui no Rio de Janeiro. Pensei que fosse uma pegadinha, e liguei para o telefone indicado para confirmar. Era verdade. Fiz o curso e gostei. Tratava-se da versão 10 do ArcInfo. Os que me tweetam há mais tempo devem lembrar que no meu tópico SIGa-me, escrevi alguns posts sobre a versão 9.2 que ganhei de presente de uma aluna e admiradora do Curso de Engenharia Ambiental da PUC-PR. Pois bem. O futuro (dos problemas ambientais) é esse: SIG = Sistema de Informações Geográficas.
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A RAZÃO DO SUCESSO
O ArcGIS é o software de SIG/Geoprocessamento (Geo = Terra + processamento = trabalho com mapas no computador) mais utilizado no mundo e, também, aqui no Brasil. Apesar de termos dois ´fuscasGIS´ feitos aqui no Patropi, chamados Spring e TerraView, do INPE e, logicamente, em português.
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Um exemplo corriqueiro do ArcGIS como uma ferramenta de apoio à decisão. A partir de um mapa dos municípios do Estado do Rio de Janeiro, podemos com facilidade selecionar feições por atributos (dados de tabela) e/ou por localização (informações geográficas). Assim, no 1o. caso, com o comando “NOME” = ´Petrópolis´, p.ex., será destacado no mapa o contorno desse município. Se quisermos saber quais são os seus vizinhos, damos outro comando, e eles serão realçados.
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Ao ´recortarmos´ deste mapa o município do Rio de Janeiro (onde fica a capital do Estado), adicionarmos ao ´projeto´ o arquivo com as estações do metrô e pedirmos ao programa para traçar um “buffer” de 3 km em volta de cada estação, representada cada qual por um ponto, em poucos milisegundos aparecerão no visor uma série de círculos em seqüência.
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Adicionando-se agora o mapa de Uso do Solo, podemos solicitar que sejam ´desenhados´ os contornos dos polígonos que representam as áreas de favelas. Na Tabela de Atributos que acompanha a imagem, podemos criar uma coluna com o nome AREA_FAVELAS e pedir ao ArcMap para calcula-la e preenche-la. Na mesma tabela, solicitamos as Estatísticas da coluna e lá aparecem os valores mínimo e máximo, média, total, desvio padrão, etc. Sofisticando mais um pouco o nosso estudo, através de um CLIP, podemos selecionar apenas as favelas que se encaixam nos círculos traçados anteriormente a partir das estações de metrô.
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FONTE DOS DADOS
É claro que nos exemplos acima os mapas não surgiram do nada. Eram arquivos que nos foram fornecidos durante o curso. Mas o que mais existe na rede são dados para se trabalhar, de qualquer parte do mundo. Eles estão disponíveis para download (cópia) gratuito nos sites do IBGE (população), EMBRAPA (biomas), CPRM (geologia), ANA (hidrografia) e muitos outros.
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Destaco o da Companhia Brasileira de Pesquisas de Recursos Minerais – CPRM, onde estão disponíveis dados e informações sobre todos os Estados brasileiros. Eles permitem identificar a geologia, a hidrografia, a topografia e outras feições muito úteis aos estudos ambientais. Se uma dada região for Sedimentar, p.ex., podemos deduzir que ela deve ser vulnerável à poluição (pelo chorume dos lixões) e útil à recarga dos lençóis subterrâneos. Num mapa da Amazônia, uma área que se destacar pela maior densidade de drenagem (e só por isso), pode revelar uma rica jazida de ferro. E assim por diante.
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Na Figura abaixo, recortada do site nela anotado (no rodapé), estão algumas aplicações típicas do Geoprocessamento, com sugestões de escalas, tipos de dados, representações gráficas e operações geográficas.
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E no site do Departamento de Análise Geo-ambiental da Universidade Federal Fluminense – UFF (*) existe um excelente tutorial do TerraView, arquivos de mapas para serem trabalhados, além da última versão do Software. Visite o fututo. SIGa-me. E bom proveito!
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(*) http://www.uff.br/geoden

INÉRCIA AMBIENTAL

(5 de junho – Dia Internacional do Meio Ambiente)

 

Assim como as ´Felicidades´no aniversário e os ´Meus pêsames´no infortúnio, Ambientalista que se preza não pode ignorar a comemoração do Dia Mundial do Meio Ambiente. Parodiando os personagens de “O caminho das índias”, hoje é um dia auspicioso (*) para se falar no assunto. O problema é O QUE falar. Eu decidi abordar a inércia ambiental (ou seja, a dificuldade dos cidadãos passarem da conscientização dos problemas à ação), por 3 motivos:

1o.) A tendência ao monólogo nesses mais de 4 anos em que escrevo sobre o tema  no Orkut, mesmo com os tópicos´Faça e aconteça´ e ´SIGa-me´.

2o.) A resistência dos (meus parentes) que atuam na Prefeitura de Marituba-PA a porem em prática as minhas recomendações sobre a cidade.

3o.) A não aceitação dos condôminos do edifício onde moro (na zona Norte do Rio de Janeiro) do meu projeto de captação e filtração da água da chuva.

 

Foram três derrotas inexplicáveis, frente à solidez dos meus argumentos técnicos. A resposta talvez possa ser sintetizada numa frase que minha finada esposa gostava de repetir: As repetidas sensações, extinguem as emoções. Em outras palavras: já estamos tão acostumados com a sujeira à nossa volta e com o descaso da população (e principalmente das autoridades), que chegamos a ter vergonha de agir civilizadamente. Na verdade, não acreditamos que nossa conduta possa alterar maus hábitos que trazemos desde a infância.

 

A falta de uma referência

Essa é a minha tese para o que chamo de [b]inércia ambiental[/b]. Como não conhecemos um lugar limpo e seguro, não temos um parâmetro para copiar. Explico. Em 1978, participei do projeto executivo de “Aproveitamento Agrícola da Planície de Remilá” (504 hectares a serem irrigados, na Argélia). Eu e um colega fomos designados pela empresa onde trabalhávamos para levar o Projeto até seus contratantes.

Tivemos de fazer escala em Genebra, Suíça, onde este amigo já havia estado antes. O meu primeiro impacto foi ver as águas cristalinas do rio que cortava a cidade. O segundo foi não identificar um papelzinho de bala sequer jogado nas ruas. E o terceiro foi um teste que o colega fez comigo, diante do meu espanto. Ele disse: “José Luiz, quer ver como o pessoal aqui respeita o sinal de trânsito ? Vamos atravessar a rua com o sinal aberto”. Pensei que ele estivesse brincando, mas a curiosidade foi maior. Assim que botamos os pés na rua, todos os carros pararam (sem buzinar) até que chegássemos do outro lado. Não esqueço o constrangimento que senti. É como se dissessem: “Olhem aqueles 2 índios atravessando a rua!”.

 

O curioso é que ao chegarmos a Batná, a cidade argelina mais próxima da área a ser irrigada, fiquei conhecendo o outro lado da moeda, ou seja a referência oposta. Nunca vi na minha vida uma cidade tão suja e tão insegura. A ponto de, no trajeto de Argel (capital) para Batná, num velho carro dirigido por um Argelino, ao pararmos num barzinho à margem da rodovia, ele, sem cerimônia, pegou uma chave de fenda e desaparafusou os limpadores de para-brisa trazendo-os até a mesa, dizendo que era para evitar o furto. Contou-nos ainda que era hábito no local deceparem as mãos dos ladrões. Imagina se não fizessem isso ! O meu receio ao ver uma vitrine (todas sujas com a poeira do deserto) era se um larápio em fuga, colocasse em minhas mãos o que ele havia acabado de roubar…

 

Como agir, então ?

Pau que nasce torto é difícil de endireitar. Portanto, restam cuidarmos das ´mudinhas´, ou seja, das crianças. Estou convicto que a Educação Ambiental deve ser dirigida prioritariamente às crianças, na escola de primeiro grau e desde o Jardim de Infância. No Dia Internacional do Meio Ambiente, p.ex., não deixar de presentear-lhes com uma exposição de insetos, de plantas ou uma visita ao Jardim Zoológico. Pensando nisso, cheguei a elaborar um Mapa Mental das Folhas, (e dos Insetos) só pra mostrar a variedade que existe aqui no Brasil das formas de folhas de plantas (e da importância dos insetos; veja em anexo). Insisto que:

Só se ama, o que se conhece.

 

(*) auspicioso, adj.

Que tem bons auspícios, bom agouro. = favorável, prometedor, promissor ≠ adverso.

PENSANDO MARITUBA

(Com a técnica do Brainstorming)

 

 Brainstorming (do inglês brain=cérebro + storming=tempestade), técnica de obtenção de consenso através da qual algumas pessoas se reúnem em volta da mesa para discutir um determinado assunto, verbalizando idéias que lhe vêm à cabeça sem qualquer autocrítica, ou seja, sem se preocupar se elas são lógicas ou exeqüíveis. Um dos presentes as anota e, ao final da sessão dentre aquela enxurrada de idéias, quase sempre está a semente ou o resultado que se procura.

 

 Comecemos pelo maior problema: os lixões. Além de serem vetores de doenças, do mal cheiro e do aspecto estético, estão contaminando os cursos d´água e matando os peixes, que são uma das principais fontes de alimentação da população da cidade. Das exigências sanitárias para a localização de um aterro sanitário, pelo menos 3 são difíceis de atender em Marituba-PA (*): a) a distância das habitações, b) a profundidade do lençol freático e c) o afastamento dos rios. Outros problemas que essa forma inadequada de disposição dos resíduos sólidos urbanos (RSU) costuma apresentar são:

1 – atração de catadores e suas famílias (com sérios riscos de saúde);

2 – presença de aves (urubus, garças, etc.) que causam acidentes aéreos;

3 – produção de chorume na ordem direta do índice de chuvas no local; e

4 – proliferação de vetores de doenças: mosquitos, baratas, ratos e outros.

 

Minhas idéias

Focando o chorume como o mais grave dos 4 problemas acima apresentados e considerando elevado o índice pluviométrico local (por ser uma cidade da Amazônia), pensei em reduzir drasticamente a sua produção. Como ? Evitando que a água da chuva chegue até ele, pela colocação de uma cobertura impermeável. Imaginei um telhado de zinco, com cerca de 1 metro de altura, escorado por bambu ou moirões de cerca. A captação da água dessa cobertura, poderia ser vendida pelos moradores à própria Prefeitura, para uso em jardins, piscicultura e até mesmo potável.

 

A altura de um metro impediria o acesso dos catadores e de algumas aves, além de criar um efeito estufa, que reduziria a umidade do lixo pré-existente. Como a maioria dos lixões não apresenta uma superfície regular que permita a colocação de uma superfície impermeável a essa altura, pensei no seu aplainamento anterior por um trator (de esteiras ou de rodas) com lâmina frontal, desses que quase toda Prefeitura dispõe para a manutenção das suas estradas vicinais.

 

E os vetores ? Duas tentativas me ocorreram: pulverizar à lanço uma certa quantidade de gesso (sob a forma de pó de calcário) para, diminuindo o pH dos RSU e propiciar um ambiente desfavorável; e cobrir a superfície com uma fina camada de solo e de folhas de espécies produtoras de essências aromáticas, como o eucalipto. Li uma reportagem no Globo Rural, anos atrás, do uso de folhas de eucalipto (para espantar ratos e insetos) num paiol de milho de uma unidade da agricultura familiar. O alumínio costuma refletir bem a luz do sol e alguns pássaros se assustam com esse reflexo.

 

Os resíduos vegetais do eucalipto (além do seu efeito repelente), juntamente com a matéria orgânica do lixo, contribuiria para a formação do composto, para uso futuro como adubo.

 

Para desestimular a prática do lançamento dos RSU em lixões pela população periférica, a Prefeitura poderia incentivar a coleta seletiva, trocando um certo peso de reciclados por ingressos em shows ou cestas básicas.

 

Pronto. Agora é a sua vez. E não pense que, ao sugerir, só estará “colocando a azeitona na minha empada”. Como Marituba, há mais de 4.000 cidades no Brasil que precisam de soluções inusitadas como essas.

 

(*) 1 22 50 S 48 15 16 W (no Google Earth)

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