Sacolas são para sempre!

EU NÃO SOU UMA SACOLA PLÁSTICA
EU NÃO QUERO ENGOLIR MAIS PLÁSTICO
SACOLAS PLÁSTICAS? DIGA NÃO!

 

Inconformados e assustados com os novos rumos e “tendências de mercado” de um comportamento sustentável, a PLASTIVIDA e seus parceiros tentam organizar uma espécie de “contra ataque” na Guerra das Sacolas Plásticas. Isso porque já existe felizmente no Brasil uma simpatia ao uso das sacolas retornáveis e os meios de comunição vem abordando esse tema cada vez mais claramente, mostrando os malefícios causados pela degradação do plástico, no meio ambiente.

Tendo recebido o email que transcrevo abaixo, originalmente enviado pela PLASTIVIDA aos seus “parceiros” e “associados”, todos fabricantes de plástico e todos comprometidos com a manutenção dessa matéria prima que tem permanecido no Meio Ambiente de forma intocada ao longo de dezenas de anos, me sinto na obrigação moral de publicar um post sobre as verdades sobre o plástico a fim de tentar esclarecer aos leitores e à Sociedade em geral sobre os malefícios causados pelos polímeros em nosso planeta. Cabe ao Homem moderno pensar, detentor de todas as informações sobre Meio Ambiente e a Degradação Acelerada do Planeta e ESCOLHER sobre o que usar, como usar e quando usar. Chegamos a um momento crítico em que não é mais possível continuar agindo como “cordeirinhos” ou “massa de manobra” diante dos grandes empresários, políticos e toda sorte de gananciosos “fabricantes da morte”, verdadeiros algozes dos oceanos, do solo e do ar.
Tal assunto é tão sério e há tantas “respostas” para a Plastivida que decidi dedicar o resto da semana aos parágrafos desse email, não só como forma de esclarecer à Sociedade, como também para deixar claro à Indústria Petroquímica que nem todos vão mais “engolir” o plástico como desejam os seus fabricantes.

Transcrevo partes do teor completo do email, como abaixo, em destaque:

“Comunicado interno à indústria petroquímica e de transformação do plástico sobre as sacolas plásticas

Prezado(a)s Sr(a)s,
Desde o início deste mês, firmamos Convênio entre a Plastivida Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos e o INP – Instituto Nacional do Plástico para divulgar o Programa de Qualidade e Consumo Responsável de Sacolas Plásticas.Nossos objetivos são oferecer à sociedade sacolas plásticas de qualidade comprovada e também orientar a população a utilizá-las de forma responsável.“

Os objetivos da PLASTIVIDA são, claramente, continuar vendendo o produto plástico ainda que à custa da degradação ambiental.

NÃO É PRECISO COMPROVAR A QUALIDADE DO PLÁSTICO

Isso já foi comprovado, desde sua invenção. A “qualidade comprovada” dos plásticos já é historicamente conhecida pela sociedade e, graças à durabilidade do plástico, enfrentamos grave problema ambiental devido à natureza duradoura do resíduo descartado na Natureza.

Mais um trecho do email da Plastivida:

“Como forma de resolver antigos problemas de qualidade na produção das sacolas, o setor desenvolveu em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Flexíveis – ABIEF, um programa de auto-regulamentação (Norma Técnica NBR 14937), a exemplo de outros processos bem sucedidos, como as normas para tubos de PVC e de copos descartáveis.”

O PVC não é biodegradável, não é reciclável, contém muitos aditivos tóxicos e é um perigo sério para seus usuários. A única solução para os problemas causados pelo PVC é parar de produzi-lo, o que é possível já que existem alternativas para todos os usos do PVC.

Brinquedos de PVC contém grande quantidades de produtos tóxicos (10 – 40% do peso final do produto). Essas substâncias são danosas ao meio ambiente. São conhecidas por serem liberadas dos brinquedos, especialmente quando uma criança pequena está levando a boca os materiais de PVC.

Segundo o site da própria PLASTIVIDA

“Plásticos são materiais formados pela união de grandes cadeias moleculares chamadas polímeros que, por sua vez, são formadas por moléculas menores denominadas monômeros.
Os plásticos são produzidos através de um processo químico conhecido como polimerização, a união química de monômeros que forma polímeros.”

Uma História de terror, nos oceanos …

Curtis Ebbesmeyer, conhecido mundialmente pela sua especialidade em despojos de naufrágios, se referem a essa área do oceano como o grande Remendo de Lixo do Pacífico. O problema é que não se trata de um remendo, tem o tamanho de um continente, e está sendo entulhado por lixo plástico flutuante. Minhas pesquisas tem documentado 6 libras de plástico para cada libra de plâncton nesta área.

Charles Moore, relata que em uma de suas viagens de pesquisa de três meses de ida e volta (2003) chegaram mais perto do Remendo de Lixo do que na anterior, e encontraram níveis de fragmentos de plástico muito maiores por centenas de milhas. Consumimos semanas documentando os efeitos que provocam as areias que flutuam nesses plásticos nas criaturas que vivem nesta área. Nossos fotógrafos capturaram imagens de águas-vivas irreversivelmente enredadas em linhas, e organismos filtradores transparentes com fragmentos de plásticos coloridos em suas barrigas.

Há cinqüenta anos, todas as peças de plástico que chegaram ao Oceano Pacífico oriundas do continente, quebraram-se em partículas e acumularam-se no “giro” central do Pacífico.

OS POLÍMEROS E A VIDA MARINHA

É ali, no Oceano Pacífico que acabam todas as coisas que são carregadas rio abaixo para o mar. Correntes oceânicas com a rotação contrária criam longas linhas de material, visíveis de cima como listras no oceano. Normalmente elas são formadas por organismos plantônicos ou espuma, mas nós descobrimos uma feita de plástico.

Tudo desde enormes mangueiras até minúsculos fragmentos formavam uma linha de uma milha de comprimento. Pegamos centenas de libras de redes de todos os tipos arroladas neste sistema, junto com todo o tipo de entulho imaginável. Algumas vezes correntes deste tipo derivam para cima das ilhas havaianas.

Na Reserva do Ecossistema de Corais, focas, os mais ameaçados mamíferos dos Estados Unidos ficam enredadas nos entulhos, especialmente em redes baratas de plástico abandonadas pelos pescadores industriais.

Para aqueles que ainda não sabem, os corais são responsáveis pelo seqüestro de CO2 da atmosfera, tanto ou mais quanto as Florestas ….

Noventa por cento das tartarugas verdes do mar havaiano aninham-se ali e comem aqueles entulhos, confundindo com alimento natural, como também fazem os albatrozes. Na verdade o estômago dos albatrozes se parecem com uma prateleira de isqueiros em loja de conveniência, de tantos que contêm.

Tartaruga aberta mostrando os plásticos em seu estôgado

 Entretanto, os problemas causados por entulhos de plástico não são apenas o enredamento e a indigestão. Há uma face ainda mais perversa da onipresença da poluição marinha pelos plásticos. Como esses fragmentos flutuam por aí, eles acumulam os venenos que nós fabricamos para várias aplicações e que não são biodegradáveis.

E você consumidor? O que está concluindo? Ainda está seguro de que precisamos tanto das sacolas plásticas?

Amanhã eu continuo …

 

 

Ecologista era a sua Avó!

Pergunte à sua Avó:

Galinhas no Quintal

Se ela já teve um quintal onde criava galinhas e patos, além de gatos, cachorros e um papagaio ou maritaca que apareceu, fugindo de algum vizinho …

Pergunte à sua avó se ela jogava restos de verdura para as galinhas, se usava borra de pó de café nas plantas, se jogava cascas de legumes no jardim para fazer “adubo” e  se não aproveitava todo pão dormido para fazer farinha de rosca ou torradinhas para acompanhar a sopa. Pergunte a ela se ela fazia goma em casa e se sabia de um cházinho para cólicas menstruais.

No quintal de nossos avós, haviam árvores, enormes, já centenárias e plantinhas de todos os tipos que eles cuidavam, sem que soubéssemos o nome mas protegiam-nas de nossa curiosidade cruel, dizendo “não arranque as folhas, elas sentem dor”.  Nossas avós sabiam fazer chás de ervas que curavam resfriado, tosse, conheciam como usar sabugueiro para fazer desaparecer as vesículas de catapora,  não usavam óleo de soja e sobreviveram, não usavam caldo Knorr mas sabiam fazer um guisado ou ensopado como ninguém e tudo tinha um sabor diferente, típico de casa de avó. Não haviam saponáceos para tirar limo de banheiro e elas lavavam o rosto, pela manhã, com água e sabão de coco… Sobreviveram à falta de shampoos variados e esfoliantes para a pele. Muitas, como a minha mãe, só foram usar máquinas de lavar há coisa de poucos anos e sobreviveram. Não haviam absorventes higiênicos, recheados de algodão, nem fraldas descartáveis e eu me lembro da minha mãe lavando dezenas de fraldas de pano para minha filha, as fraldas balançando ao sol, clarinhas, cheirosas, limpinhas.  

 Quando olhamos para trás, na maior parte das vezes constatamos que nossos avós foram muito mais pobres do que nós e lutaram muito para conseguir alguma coisa. A maioria morreu sem conseguir grandes avanços materiais e enriquecimentos, mas apesar disso, viviam tranquilos, certos de que Deus estava no controle das coisas e que o que “tinha de ser” acabaria sendo, de uma forma ou de outra. Também falavam do futuro, um futuro distante, quando o homem teria dinheiro para comprar e não teria o que comprar. falavam que o mundo ia se acabar em fogo, já que havia se acabado em água uma vez (mencionando o grande dilúvio).

 Nossa sociedade rapidamente “evoluiu” e hoje dizemos  ser impossível viver sem os confortos da sociedade moderna. Nem pensar em não ter um microondas, ou como sobreviver sem uma boa máquina de lavar ou um aparelho de ar condicionado? Às vezes a gente pega o carro para ir à esquina e não se dá conta de que isso tem um “custo”.

Com o rótulo da praticidade, a mulher moderna pode trabalhar fora e voltar feliz, sabendo que um jantar congelado a espera, cheio de temperos artificiais, que dão sabor especial e a sensação de “dever cumprido” à todas nós.  Alimentamos nossas famílias, com enlatados, congelados, embutidos, hamburgueres e frios. Já existem até mercados vendendo legumes e verduras picados, maravilha das maravilhas… Caminhamos para  um mundo do ócio perfeito, onde sobraria, teoricamente, mais tempo para o lazer e a felicidade.

Felicidade

Toda felicidade tem um preço, toda ação, uma reação.  O custo de tamanho conforto e praticidade é o esgotamento dos recursos renováveis do planeta. Não, não estou falando de petróleo nem de água. Estou falando das outras coisas que não se mensura, tais como a capacidade de recuperação dos oceanos, entulhados de partículas de plástico, derivadas do imenso depósito que ali se amontoa, dos produtos que diariamente escoamos pelos ralos. Falo dos papéis que não reciclamos, que não reutilizamos, que não evitamos de imprimir.  Falo do ar condicionado ligado horas antes para deixar o quarto “mais fresquinho” na hora de dormir. Falo de quilos de pilhas que descartamos sem culpa, no Meio Ambiente, poluindo o ambiente inteiro, casa Terra, onde nós e nossos irmãos menores, os animais irracionais habitamos.

Devemos perguntar rapidamente às nossas avós, como era a vida no antigamente delas e tenha certeza de que o que elas vão ensinar, não tem nada a ver com coisas cafonas, fora de moda, absurdas. O que elas têm prá ensinar, serão primordiais e providenciais para nossa urgente e necessária nova forma de viver. Por escolha, ou por imposição das profundas mudanças climáticas que já se fazem presentes. Ainda podemos escolher. O que não podemos mais é, sequer cogitar, não mudar nada. 

Prá finalizar, pergunte à sua avó se ela tinha uma bolsa enorme feita de vime ou de nylon, que serviu durante anos para fazer compras e antes que fosse descartada por estar rasgando, transportou toneladas de alimentos para famílias que se reuniam felizes ao redor da mesa, nos almoços de domingo.

Seria preciso que voltássemos ao tempo das nossas avós para sentir a tranquilidade, a segurança e a felicidade que não conseguimos nos nossos tempos modernos, tecnológicos e tão incertos, como nunca antes foram.

Cláudia Costa

Este cartaz foi veiculado recentemente e amplamente distribuído numa parceria do Projeto Tamar-IBAMA e o Aquário de Ubatuba.

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