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Desequilíbrio Ecológico - Taturanas Assassinas

Novembro 25, 2007 · 5 Comentários

Um alerta especial para a população

do Sul do Brasil.

 

Pode parecer nome de filme de terror mas é mais sério que isso. Com o desmatamento acentuado e o uso de agrotóxicos de forma sistêmica pelos agricultores, os predadores de algumas espécies acabam desaparecendo. Aqui falamos das vespas, predadoras naturais das lagartas e recentemente foi encontrada uma espécie rara e extremamente venenosa de lagartas numa residência localizada na Lagoa da Conceição, em Florianópolis, o que deixou as autoridades sanitárias do Estado em alerta. Segundo os especialistas, o registro das taturanas assassinas na região comprovaria que o desequilíbrio ambiental na capital catarinense é responsável por problemas sérios, como a proliferação da temida espécie.

Marlene Zannin, professora de Toxicologia e coordenadora do CIT (Centro de Informações Toxicológicas) de Santa Catarina, órgão vinculado à diretoria de Vigilância Sanitária do Estado, destaca que cerca de 170 lagartas foram encontradas em duas colônias. Um jardineiro ficou curioso pois nunca havia visto a espécie e levou para identificação.

Ela afirma que quem tiver contato com o animal deve procurar atendimento médico imediato. “Quem encosta numa lagarta tem que procurar assistência nas primeiras horas e, de preferência, levar uma amostra do animal para análise”. Os centros de toxicologia dos hospitais são os mais indicados para orientarem a população sobre o que fazer caso novas taturanas sejam localizadas.

“É muito preocupante encontrar tantas lagartas em uma árvore no quintal, muito próximo da varanda da casa”, diz a professora. “Qualquer familiar poderia ter encostado nestas lagartas ou até os animais domésticos e o contato poderia resultar no envenenamento. Em Florianópolis nunca tínhamos coletado tantas lagartas juntas”.

Chamada de lonomia obliqua e também conhecidas popularmente como taturana assassina, a espécie chega a ter 8 centímetros de comprimento quando adulta e se caracteriza por possuir grandes espinhos verdes pelo corpo, em forma de pinheiro, e de viver em grupos alojadas em árvores. Nos espinhos, está o veneno, que chega a ser mais letal do que o de uma cobra jararaca.

Em contato com os seres humanos, a taturana libera o veneno que influencia na coagulação do sangue, provocando hemorragias, náuseas e até mesmo um quadro grave de insuficiência renal crônica. “O veneno ativa a coagulação do sangue, consome rapidamente as proteínas resultando numa incoagulabilidade sangüínea”, destaca Zannin. “O paciente, horas depois, começa apresentar hemorragias graves e insuficiência renal aguda.”

O que preocupa, no caso registrado em Florianópolis, é que a espécie nunca esteve tão perto do homem. “Estas lagartas sempre existiram, mas é importante destacar que em número controlado. Tanto a lagarta como os seus predadores (pequenas moscas e vespas) viviam mais na mata”, afirma a coordenadora do CIT.

Para Zannin, o desmatamento e o uso contínuo de agrotóxicos podem ocasionar novos problemas. “O homem vem desmatando as florestas cada vez mais, conseqüentemente as lagartas migram para as árvores nos quintais, pomares das casas e parques das cidades”, disse.

“Com o uso do agrotóxico, os predadores naturais das lagartas são mortos e o desequilíbrio é visível: o resultado é esta grande quantidade de lagartas e o risco da população acidentalmente no lazer ou no trabalho encostar nos espinhos e se envenenar”.

Os primeiros casos de envenenamento no país foram registrados por pesquisadores em 1989. Seis pessoas morreram em Santa Catarina e outras 2 mil sofreram acidentes até que o Instituto Butantan conseguiu criar um soro para o veneno da lagarta.

A taturana assassina, ou lonomia obliqua foi registrada em várias regiões do oeste do Estado. Na capital catarinense nunca havia sido notada a sua presença até a tarde do último sábado. A fiscalização em alguns bairros pode aumentar nos próximos dias, mas as autoridades estão pedindo que a comunidade permaneça em alerta.

“Cada mariposa coloca em média 70 ovos nas folhas das árvores e após cerca de 15 dias nascem de 60 a 70 lagartas. A proliferação é grande e o risco também: durante o dia elas ficam agregadas no tronco das árvores, mimetizam o tronco da árvore, o que dificulta a sua visualização”, revela Marlene.


As lagartas foram colocadas numa caixa de madeira e enviadas na noite desta segunda-feira para o Instituto Butantan, que produz um antídoto específico para o veneno liberado pela espécie, o soro Antilonômico. O soro é comprado pelo Ministério da Saúde e distribuído para as regiões sul e norte do Brasil.

Para ficar sabendo:

Cientistas da Unifesp e do Instituto Butantan descobriram como a “lagarta assassina” - que ganhou fama há dez anos - fez suas vítimas. Os primeiros casos de acidentes com taturanas surgiram em 1989, no sul do Brasil, mas nada se sabia sobre a ação do veneno no corpo humano.
O estudo analisou a ação do principal componente do veneno da lagarta Lonomia obliqua, um ativador do sistema de coagulação do sangue. O componente foi purificado, 60% dele foi mapeado quimicamente, o que mostrou, já de início, que se trata de um novo tipo de ativador de protrombina, proteína que, quando ativada, desencadeia a formação de coágulos do sangue.
Desenvolvido pelo bioquímico Cleison Valença Reis, como mestrado na Unifesp/EPM, por Ana Marisa Chudzinski-Tavassi, do Instituto Butantan, e Cláudio Sampaio, professor da Bioquímica da Unifesp, o trabalho mostrou que essa substância, quando injetada pelas cerdas da lagarta no corpo, faz com que se formem coágulos no sangue. Com isso, os fatores responsáveis pela coagulação são consumidos, o que torna o sangue incoagulável para uma necessidade futura. Esse problema tem nome: é a coagulação intravascular disseminada. 
Recomendo então, aos leitores que observem o aspecto da lagarta em questão e, na dúvida, não toquem nem deixem as crianças tocarem e avisem às Secretarias de Meio Ambiente e Zoonoses da região, no caso de avistarem colônias.

Claudia Costa

 

Fontes: http://www.unifesp.br/comunicacao/jpta/ed144/pesqui4.htm

http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI2070882-EI8145,00.html

Podemos escolher o que semear, mas somos obrigados a colher aquilo de plantamos.
Proverbio Chinês

Taturana assassina

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As Vacas do Cowparade, a Fome de Floresta e o Aquecimento Global

Novembro 21, 2007 · 2 Comentários

A primeira vez que vi a estátua de uma vaca em pleno Centro do Rio de Janeiro, não sabia nada sobre a tal “Cowparade“, mundialmente famosa e seus objetivos sociais, dos quais, na verdade, só me inteirei há muito pouco tempo.  Como a estátua estava devorando um prato de spaguete em frente ao Spoleto,  associei de imediato ao aquecimento global e pensei, do alto da minha ignorância: “devem estar fazendo uma propaganda para estimular o consumo de massas ao invés de carne, por causa do aquecimento global. Que legal!”… tsc, tsc, tsc.   Não era nada disso.  Dias depois eu vi outra vaca, no Largo da Carioca e aí percebi que não tinha nada a ver com a preocupação ambiental. Era alguma exposição, eu vira na TV, tomei profunda antipatia e esqueci o assunto. Aliás, mentira. Não esqueci. Sempre que eu passava por uma dessas vacas, ficava tentada a desenhar um Planeta derretendo. Aí ouvi dizer que estavam pichando as vacas e roubando os acessórios, achei melhor esquecer de verdade o assunto, porque poderia acabar presa por depredar patrimônio “cultural” da cidade. E ainda ia ter que dar conta das panelas e chapéus, sem saber de nenhum desses acessórios. Me contentei em desprezar as vacas e seguir meu caminho. Dia 8 deste mês eu li que as “mudanças no clima eram o maior motivo de retirada das vacas da áreas da cidade.” O excesso de sol, vento e chuva (choveu no Rio, em novembro, como não chovia há meses) vinha danificando as peças expostas, obrigando a uma rotatividade e manutenção maiores do que seria esperado. Bem, as vacas foram pro brejo e eu acabei descobrindo que essa exposição acontece anualmente (é a primeira vez no Rio de Janeiro), já tendo sido expostas em São Paulo e em Belo Horizonte, assim como em grandes capitais mundiais e o objetivo, além de divertir e inovar, tem sempre um cunho social.  Menos mal, pensei. Mas, ainda assim, apesar de gostar muito das vaquinhas enquanto animais, com sua passividade ruminante, e dos nomezinhos engraçados que eles criaram, quase sempre fazendo um trocadilho com a palavra cow (vaca, em inglês),  que é bom que se observe, nada tem a ver com o nosso idioma,  em tempos de aquecimento global e reflexão obrigatória sobre o consumo de carne, a cowparade poderia ter sido de alerta para os efeitos dos gases de efeito estufa. Uma das vacas me chamou a atenção e espero que tenha causado a mesma impressão em mais pessoas. Essa aqui,  batizada pelos criadores de “Fome de Floresta”.

Fome de Floresta

Fome de Florestas  - Artistas: Mana e Pedro Bernardes

exposta na Avenida Armando Lombardi, na Barra da Tijuca. Eu não tenho certeza mas espero que o objetivo desses artistas tenha sido alertar para a devastação das florestas causada pela criação de gado. Se foi esse o objetivo, parabéns aos criadores da única escultura criativa da exposição.  As vacas permanecerão expostas até o dia 26 e depois serão leiloadas e a renda arrecadada será entregue a uma organização social. Seria muito infeliz sugerir que os próximos eventos tivessem outros animais em exposição? Quem sabe um urso polar ou outras espécies, ameaçadas de extinção, por causa do Aquecimento Global.

Quem quiser conferir a exposição das vaquinhas, visite o link: http://rio.cowparade.com/cow/gallery  e divirta-se, antes que a vaca vá para o brejo, de vez.

_________

Ainda sobre vacas …  =]

Campanha de ex-mulher de McCartney liga carne a efeito estufa

Nada contra a ex de Paul, Heather Mills. O assunto importante é que ela, à frente da Organização Não-Governamental Viva!, lançou esta semana a campanha HOT, numa tentativa de convencer mais pessoas a deixarem de comer carne.

A campanha é baseada em estatísticas publicadas em um relatório da agência de Alimentação e Agricultura da ONU e em um estudo da própria ONG Viva!.

Efeito estufa

De acordo com os estudos, a criação de gado para corte e laticínios é a segunda atividade que mais emite gases do efeito estufa, atingindo 18% do total.

A propaganda compara este número com as emissões combinadas de todos os meios de transporte, que ficariam em 13,5% do total.

“Essas atividades são a maior causa de extinção de florestas e de desmatamento de florestas: 70% da Amazônia desmatada é usada como pastagem e os outros 30% para o cultivo de forragem para animais”, diz a campanha da Viva!

Nas palavras de Heather Mills, a criação de animais para abate e laticínios “é hoje uma das maiores ameaças ao nosso planeta”.

Num dos cartazes, a modelo aparece em cima de terra desertificada com a frase “Hey Meaty! You’re making me so hot!” (ei, carnívoro, você está me deixando tão quente!, em tradução livre).

A bem humorada Heather Mills, que não tem uma perna, ainda brinca em outro cartaz, com a frase: “You haven’t got a leg to stand on!” (você não tem uma perna para te sustentar, em tradução livre), que é endereçado a organizações e pessoas que se dizem ambientalistas mas continuam consumindo carne.

 

 Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/


 

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Feliz Natal com PET!

Novembro 19, 2007 · 1 Comentário

Logo eu, que demorei anos até me render à Internet, para efeitos de Blog, para uso de Orkut, nos últimos meses, me encontro cada vez mais envolvida e encantada com as inúmeras possibilidades existentes na blogsfera.  

Eu tenho falado tanto nas garrafas PET e nos malefícios que elas causam ao Meio Ambiente, recomendando, inclusive que se adote de uma vez a garrafa de vidro, em substituição às nada ecológicas garrafinhas plásticas, cujos fabricantes têm levado o consumidor a erro, uma vez que o consumidor se baseia na premissa - errada - de que Descartável é o mesmo que Reciclável - Engano que vem sendo mantido anos à fio e que agora resulta em milhares, milhões de garrafinhas PET espalhadas nos lixões, nos leitos dos rios, nos oceanos.  Tampinhas de refrigerante engolidas por animais marinhos, o que pode provocar o adoecimento e a morte do animal.

Bem, dia desses, no Orkut, encontrei uma pessoa, que guarda fotos incríveis da imensa criatividade aliada à preocupação que também tem com o Planeta e o destino que os plásticos estão tendo em nossas cidades consumistas. Encontrei as fotos e me apaixonei.

Pedi à ela autorização para divulgar e compartilho com vocês a beleza e delicadeza do trabalho que ela, a Maria Luíza, faz:

Natal com Pet

O Perfil dela no Orkut é: 

http://www.orkut.com/Album.aspx?uid=17861771101425417901

e,  ela aceita encomendas. Quem não gostaria de ver um desses enfeites no seu prédio ou empresa, mostrando, pelo exemplo, que é possível sim, evitar que esse plástico todo vá parar nos bueiros, rede de esgotos e nos lixões, levando séculos para se decompor?
Espero que essa pequena “mostra” nos inspire a fazer a nossa parte, assim como a Luiza vem fazendo tão bonito, o seu “dever de casa”. Parabéns Luíza e Feliz Natal!
Até a próxima!

Post Relacionado: http://ecoamigos.wordpress.com/2007/10/22/garrafas-pet-ideias-brilhantes/

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Globalização… Para alguns

Novembro 18, 2007 · Não Há Comentários

Bangladesh

Países menos desenvolvidos não se beneficiam da globalização

 Esta semana estou triste.  O Ciclone que arrasou Bangladesh, com ventos de até 250 Km/h, me fez refletir sobre um texto que li, há algum tempo, que fala sobre os “Condenados ou Malditos da Terra”, numa referência aos Países mais pobres do Mundo, uma espécie de lista em que é preciso mergulhar fundo na miséria para ingressar nela.  Num mundo globalizado, que corre contra o tempo, tentando prever e deter as mudanças climáticas, que vão afetar de alguma forma a vida de bilhões de pessoas, em todos os continentes, eu hoje me pergunto: É possível indignar-se, tanto e tão definitivamente, com a repetição dessas tragédias anunciadas, a ponto de exigir-se dos países ricos que protejam esses povos, muito depois que os interesses comerciais ali havidos já estarem extintos?  (leia-se colonização e exploração extrativista).

Bangladesh é um País entre rios. Nascido no delta dos rios Ganges e Brahmaputra, depois de anos de colonização inglesa e instabilidades, na partilha política que deu origem ao Bangladesh, os monumentos ficaram na Índia, à exceção de um punhado, espalhado pelo Paquistão. O grande porto de Calcutá, que facilitaria a exportação das poucas produções nacionais - juta, couros e chá - ficou do lado indiano. A língua e, sobretudo, a política e o muro silencioso da religião, com hindus de um lado e muçulmanos do outro, acabaram por dividir muito mais do que fatores geográficos como rios ou cadeias de montanhas. O que sobrou em Bangladesh? Eu diria que sobrou gente.  Um dos países mais populosos do mundo, com mais de 1000 pessoas por km² - é impossível trafegar por mais de 300 metros sem encontrar uma aglomeração de pessoas -  Estima-se 130 milhões de habitantes, podendo ser 150 milhões. Uma população quase igual à do nosso País, no espaço de 144.000 Km². Para se ter idéia, caberiam aproximadamente 59 Bangladesh’s dentro do Brasil.

“Enquanto alguns países se integram e prosperam, outros ficam mais marginalizados e isolados”, alertou a diretora do escritório da ONU para os países menos desenvolvidos, os países em desenvolvimento sem litoral e os pequenos Estados insulares em desenvolvimento, Harriet Schmidt.   

Esta é a triste realidade dos Países Menos Desenvolvidos. “Enquanto a globalização permitiu, nos últimos 30 anos, ampliar o comércio, aumentar o rendimento econômico e criar uma riqueza global sem igual, os LDC não conseguiram se beneficiar dela”  De acordo com critérios estabelecidos pela ONU, 50 países figuram na categoria de LDC - Least Developed Countries –  países menos desenvolvidos -  25 a mais do que em 1971.  A maioria está na África, mas também constam do relatório nações de Ásia, Oceania e Caribe (apenas o Haiti). A lista inclui Afeganistão, Bangladesh, Eritréia, Etiópia, Gâmbia, Sudão e Mauritânia. Estes países concentram 12% da população mundial e menos de 2% do investimento global direto - a maioria nos setores de hidrocarbonetos e mineração. A situação é ainda mais alarmante no âmbito comercial. A participação dos LDC nas exportações mundiais caiu de 3%, nos anos 50, para 0,7%, na presente década, enquanto que em matéria agrícola essa redução foi de 3,3% para 1,5%, entre os anos 70 e 90.  

Fatores “domésticos” são apontados como responsáveis por impedir que os LDC tirem proveito da globalização, entre eles o analfabetismo, a deficiência ou falta de infra-estrutura, explosão urbana e a desertificação.  

O ex-presidente tanzaniano Benjamin Mkapa acredita que a globalização, regida por instituições fundadas pelos vencedores da Segunda Guerra Mundial, teve como objeto e resultado “reforçar a dominação econômica e geopolítica do Norte e preservar seus interesses“. “Eu fiquei menos convencido de que a comunidade internacional, em particular o mundo rico industrializado, seja séria e decidida a cumprir suas promessas (…) de apoiar o desenvolvimento das populações mais pobres da humanidade”, criticou. Sua constatação encontra eco nas declarações do turco Kemal Dervis, à frente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). “Os avanços foram muito fracos, se não nulos”, avaliou. “É frustrante ver aqueles que exaltam o livre-comércio e o mercado liberal tomarem, às vezes, as medidas mais radicalmente protecionistas que bloqueiam completamente todas as oportunidades para os países em desenvolvimento”. De acordo com a presidente da Assembléia-Geral da ONU, Sheikha Haya Rashed Al Khalifa, em referência aos Objetivos do Milênio estabelecidos pelas Nações Unidas em 2000 para combater a fome e a pobreza e àqueles fixados para estes países para o decênio 2001-2010, “os LDCs têm poucas chances de atingir nas datas previstas seus objetivos de desenvolvimento internacional”.

A lista dos países menos desenvolvidos, com menores chances de desenvolvimento, são, em sua maioria, aqueles mesmos países espoliados no passado por colonizadores, hoje chamados, Países desenvolvidos.   

Alguém tem alguma idéia sobre  quem deve ajudar os LDCs à sobreviver, além das migalhas atiradas por eficientes helicópteros, em ajuda “humanitária”?   

Minhas preces e indignação por Bangladesh e mais 49 LDCs, cujo destino parece ser o sofrimento, enquanto o nosso parece ser a indiferença.

 familia.jpgCláudia Costa

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Brasil desperdiça 45% da água captada

Novembro 17, 2007 · 1 Comentário

AFRA BALAZINA
JOSÉ ERNESTO CREDENDIO
da Folha de S.Paulo

De toda a água que se retira de mananciais para abastecer as capitais brasileiras, quase a metade (45%) se perde antes de chegar às casas e atender a população. A principal causa são os vazamentos na rede.

Porto Velho tem a pior situação entre as capitais em termos percentuais –78,8%– e o Rio de Janeiro tem a maior perda se for levado em conta o volume total jogado fora –o equivalente a 618 piscinas olímpicas.

Em São Paulo, a perda é menor do que a média das capitais e fica em 30,8% –em 2001, a estimativa era de 33,5%. Mesmo assim, o extravio ainda é muito superior ao considerado aceitável por especialistas –entre 15% e 20%. O Japão, por exemplo, tem perda de apenas 4%.

O problema não é novo. Em 2002, o Ministério das Cidades estimava a perda nacional de água em 40%. Desde então, a situação piorou.

Para chegar à quantidade de água perdida na rede, a conta é a seguinte: faz-se a subtração entre o que é retirado dos mananciais (a medição acontece nas Estações de Tratamento de Água) e o que é consumido pela população. Por isso, acaba sendo computado como perda, além de vazamentos, os erros de medição, as fraudes nos hidrômetros e as ligações clandestinas de água.

Segundo a Sabesp, por exemplo, os vazamentos são responsáveis por 65% do total perdido na capital paulista.

Esses e outros dados sobre abastecimento e consumo de água serão apresentados pelo ISA (Instituto Socioambiental) na próxima quarta-feira, no evento de lançamento da campanha “De Olho nos Mananciais”, apoiada pela modelo Gisele Bündchen. A top model cedeu sua imagem para a divulgação da iniciativa.

As informações foram obtidas no Snis (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento), do Ministério das Cidades, e têm como referência o ano de 2004. Os dados de São Paulo foram atualizados pela Sabesp e são de 2007.

Segundo Marussia Whately, coordenadora do Programa Mananciais do ISA, para alterar o quadro atual é necessário combate intenso aos vazamentos. “O atendimento rápido é muito importante. É preciso ter um sistema eficaz de monitoramento para notar os problemas e resolvê-los.”

A instituição ressalta que a participação da população é essencial: as pessoas devem avisar as empresas sobre os vazamentos e cobrar o reparo.

Para José Aurélio Boranga, presidente da Abes (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental), é imprescindível investir em tecnologia e trocar a tubulação antiga.

De acordo com ele, as maiores perdas ocorrem nos ramais –pontos em que a água deixa a rede da rua e segue para as casas. “Fazer conserto em ramal é perder dinheiro. Quando há vazamento, precisa trocar.”

Segundo as associações brasileiras de empresas estaduais (Aesbe) e de concessionárias (Abcon) de saneamento básico, seriam aceitáveis índices de perdas sempre abaixo de 20%, o que é raro no Brasil.

O superintendente-executivo da Aesbe, Walder Suriani, aponta o déficit tecnológico na estrutura do sistema e dos materiais empregados nas tubulações de água. “O material empregado no Brasil é frágil. Usamos tubos de 100 m com juntas a cada seis metros [o que permite mais vazamentos]”, diz.

O presidente da Abcon, Fernando Mangabeira, afirma que os resultados demoram a aparecer. A empresa que ele dirige, a Águas de Limeira, do interior de SP, levou sete anos para fazer caírem as perdas de 45% para 18%. “Não pode parar de investir, é preciso manter essa estratégia sempre.”

Fechando a torneira

Saiba como economizar água:

Banho

Feche a torneira ao se ensaboar. Uma ducha aberta durante 15 minutos consome 135 litros; no mesmo período, um chuveiro elétrico consome 45 litros. Se o uso foi reduzido para cinco minutos, o consumo cai para 45 litros, no caso da ducha, e para 15 litros, no caso do chuveiro elétrico.

Escovar os dentes

Molhe a escova e feche a torneira enquanto escova os dentes e enxágüe a boca com um copo de água. Cinco minutos com a torneira aberta gastam 12 litros.

Lavar o rosto

Não demore. Um minuto com a torneira meio aberta gasta 2,5 litros.

Barbear

Cinco minutos gastam 12 litros. Fechando a torneira, o consumo cai para dois ou três litros.

Vaso sanitário

Seis segundos de acionamento gastam de 10 a 14 litros. Bacias sanitárias fabricadas a partir de 2001 necessitam de menos tempo para a limpeza e consomem seis litros por descarga. Quando a válvula está defeituosa, o gasto pode chegar a 30 litros. Mantenha a válvula da descarga regulada e conserte vazamentos assim que forem notados. Não use a privada como lixeira ou cinzeiro e nunca acione a descarga à toa.

Lavar a louça

Primeiro, limpe os restos de comida dos pratos e panelas com esponja e sabão e, só aí, abra a torneira para molhá-los. Ensaboe tudo que tem que ser lavado e, então, abra a torneira para novo enxágüe. Lavando louça com a torneira meio aberta por 15 minutos são utilizados 117 litros. Com economia, o consumo chega a 20 litros. Uma lavadora de louça com capacidade para 44 utensílios e 40 talheres gasta 40 litros –utilize-a somente quando estiver cheia.

Lavar a roupa

A lavadora de roupas com capacidade de cinco quilos gasta 135 litros. O ideal é usá-la somente com capacidade total. No tanque, a torneira aberta por 15 minutos gasta até 279 litros. Deixar acumular a roupa e coloque água no tanque para ensaboar, mantendo a torneira fechada. Aproveite a água do enxágüe para lavar o quintal.

Jardim

Molhar as plantas por 10 minutos pode consumir 186 litros. Use um regador em vez de utilizar a mangueira. No verão, regue pela manhã ou à noite, o que reduz a perda por evaporação. No inverno, regue um dia sim, um dia não, pela manhã. Com uma mangueira com esguicho-revólver, a economia chega a 96 litros por dia.

Piscina

Uma piscina de tamanho médio exposta ao sol e ao vento perde aproximadamente 3.785 litros por mês por evaporação –suficientes para suprir as necessidades de água potável de uma família de quatro pessoas por cerca de um ano e meio (considerando o consumo médio de dois litros por habitante por dia). Com uma cobertura plástica, a perda é reduzida em 90%.

Calçada

Use a vassoura, e não a mangueira, para limpar a calçada e o pátio de casa. Se houver sujeira localizada, use um pano umedecido com água de enxágüe da roupa ou da louça. Com mangueira, em 15 minutos, são perdidos 279 litros de água.

Carro

Use um balde e um pano para lavar o carro em vez de uma mangueira. Se possível, não o lave durante a estiagem. Muita gente gasta até 30 minutos lavando o carro. Com uma mangueira não muito aberta, gastam-se 216 litros de água. Com meia volta de abertura, o desperdício alcança 560 litros. Para reduzi-lo, lave o carro somente uma vez por mês e usando um balde –nesse caso, o consumo é de apenas 40 litros.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u346251.shtml

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